Serra Pelada voltará a produzir ouro em 2012
Quase 20 anos
depois de o governo fechar aquela que foi a maior mina de ouro a céu
aberto do mundo, a exploração de Serra Pelada, no Pará,
será agora toda mecanizada. A empresa de mineração canadense
Colossus Minerals Inc., associada à Cooperativa de Mineração
dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), conquistou a permissão
para explorar a área.
Os primeiros levantamentos feitos em uma parte do terreno de 100 hectares
com permissão para ser explorada indicou a presença de, pelo
menos, 50 toneladas do metal. Esse número deve ser atualizado pela
empresa em janeiro, e a expectativa dos ex-garimpeiros é que o volume
seja bem maior, já que a própria mineradora informou que o potencial
de novas descobertas na propriedade é elevado.
"É basicamente ouro amarelo, paládio - que é um
ouro branco -, prata e platina. Sendo que a incidência menor é
de platina, mas, em compensação, o preço é dobrado
em relação ao preço do ouro", explicou Antônio
Ferreira Milhomem, diretor da cooperativa.
A antiga mina, que na década de 1980, foi alvo da maior corrida a metais
preciosos da história da
América Latina, chegou a ser conhecida como “formigueiro humano”,
com mais de 80 mil garimpeiros trabalhando ao mesmo tempo. O ouro retirado
deveria ser vendido exclusivamente à Caixa Econômica Federal.
Na época, foram extraídas cerca de 40 toneladas do metal precioso,
sem contar o que foi vendido clandestinamente. O grande buraco que os trabalhadores
cavaram é hoje um lago com mais de 100 metros de profundidade.
Até a entrada em operação, a multinacional canadense
terá investido R$ 320 milhões na construção da
mina subterrânea, batizada de Nova Serra Pelada. O lucro, no entanto,
será contado em bilhões de reais. Segundo o acordo feito entre
a Colossus e a Coomigasp, que levou à criação da Serra
Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), 25% do lucro serão
repartidos com os mais de 38 mil ex-garimpeiros da região associados
à cooperativa e o restante ficará com a multinacional.
Para esses trabalhadores, que depois do fechamento da mina, há duas
décadas, passaram a viver de bicos ou da renda que conseguiram com
a venda do ouro, a retomada da produção em grande escala em
Serra Pelada é a esperança de uma vida mais tranquila financeiramente.
Pouquíssimos conseguiram enriquecer na época e, entre eles,
raros souberam investir o que ganharam. Agora, organizados em cooperativa,
esperam ganhar o suficiente para viver melhor. (Danilo Macedo)
Fonte: Agência Brasil.
22/12/2011