Perfil
Maurício de Barcellos Sant'Anna é um militar da Marinha do Brasil, nascido e criado no Rio de Janeiro - RJ; este carioca é culto, de cabeça aberta para as modernidades da vida. Atualmente vive com sua família na Ilha de São Francisco do Sul, no Estado de Santa Catarina em sua belíssima casa no alto de um morro de frente para a estonteante, invulgar e magnífica Baía da Babitonga. Neste sacrário de beleza Barcellos flagra contemplativamente um pôr-do-sol inegualável. Apaixonado pela Marinha do Brasil e por Museus ele pensa sériamente em escrever um Livro.
Entrevista
Portal Net Babillons
Barcellos o que significa a Marinha do Brasil em sua vida?
Barcellos
Quando a gente
entra na Marinha, a gente faz isto muito cedo. Eu entrei em 1966, tinha 16
anos nessa ocasião e posso dizer uma frase simples: na Marinha a gente
entra e não sai nunca. A Marinha para mim foi tudo, é a maneira
de viver, o que tenho hoje, a minha família foi constituída
graças ao meu trabalho na Marinha, então como disse, nós
entramos um dia e não saímos mais, até o fim de minha
vida serei alguém ligado à Marinha. É uma instituição
que só sabe o que é quem lá dentro está. Aprendemos
muito cedo a dar valor a alguns pontos que infelizmente não estão
muito em moda hoje em dia, valorizamos muito o companheirismo, a lealdade,
a honestidade de princípios e isto fica muito marcado em todos aqueles
que tiveram esta oportunidade, assim como eu tive de participar da vida desta
instituição. Isso é muito especial, eu diria que só
pode definir isso quem conhece a Marinha, quem lá esteve e eu me considero
um privilegiado por poder definir dessa maneira.
Portal Net Babillons
Porque você
escolheu São Francisco do Sul, no Estado de Santa Catarina para viver
e criar raízes ?
Barcellos
A opção de São Francisco do Sul eu diria que vem de 20
anos atrás aproximadamente, quando aqui fui o Delegado da Capitania
dos Portos, então eu sempre pensei numa cidade como São Francisco,
uma cidade onde a gente tivesse oportunidade de desenvolver um tratamento
amistoso sem aquele stress das grandes cidades, sem aquela correria e quando
saí daqui em 1986 sempre pensei em voltar algum dia e na medida em
que houve uma ocasião profissional, a questão do Museu Nacional
do Mar, então vislumbrei a possiblidade de retornar a São Francisco
do Sul e com a minha Reserva na Marinha, chega um ponto em que a gente passa
para a Reserva, tive condições de construir aqui um novo Porto,
uma casa e é isto que tenho feito desde 1994 quando voltei para cá,
quase 10 anos. Foi em função dessa tranquilidade, da parte amistosa
da população de São Francisco que me fez voltar e fixar
residência aqui.
Portal Net Babillons
Na Marinha quais
são os seus melhores momentos? Barcellos
Olhe a gente ficaria aqui conversando a noite inteira sobre melhores momentos
na Marinha. A coisa mais importante é quando você se descobre
garoto ainda, sozinho dentro de um grupo que também está todo
sozinho, então você começa a criar um laço de amizades
com aqueles rapazes que estão chegando, assim como eu cheguei em 1966,
no Colégio Naval, em Angra dos Reis-RJ; a partir daí você
começa a fazer parte de um grupo, começa a estudar, a viajar.
O que é viajar? é ampliar os seus horizontes, você está
dentro da água, no mar dentro de um navio, é uma coisa pequena
dentre tudo aquilo que o mar representa, você começa a conhecer
outros lugares, outros países, outros povos, outras pessoas e para
mim não tem nada melhor do que isso. Esse foi o ponto fundamental que
norteou toda a minha vida, querer conhecer coisas novas, descobrir novos conhecimentos,
querer ter oportunidades diferentes das que você tinha na sua casa e
que de repente se tornou pequena em face de tudo aquilo que você descobre,
então essa oportunidade de conhecer tudo isso, de estudar, de viajar
é que ficou mais marcante para mim na Marinha e eu acho que continuará
sendo para todos que estão entrando hoje na Marinha também.
Portal Net Babillons
Quando e como surgiu o interesse
pela Museologia Naval?
Barcellos
O interesse pela Museologia,
por coincidência, surgiu aqui em São Francisco do Sul quando
eu era o Delegado da Capitania dos Portos. Nunca tinha pensado em museus,
mas conversando com o Prefeito Dr. José Schmidt, naquela ocasião,
em 1984, me coloquei a disposição para qualquer tipo de trabalho
comunitário e ele me disse: a cidade está precisando de um Museu,
é um sonho de muitas pessoas daqui, eu disse: "Não conheço
nada de Museus, mas vamos construir um", e para encurtar a história
hoje nós temos um Museu que completará 20 anos em 2004 que foi
feito e levantado sem nada, só na vontade de fazer. A partir daí
aquilo começou a crescer em mim o gosto e quando tive a oportunidade
na Marinha de fazer o Curso de Comando Estado Maior de me dirigir para um
setor específico na Marinha que tratava disso, que é o serviço
de Documentação que trata do Museu Naval, que trata de todas
as salas de cultura da Marinha, fui voluntário para servir ali e eu
levei depois disso sete anos de estudos, foram sete anos fazendo cursos no
exterior para desenvolver esse gosto que começou aqui em São
Francisco do Sul.
De certa forma o ponta pé inicial foi aqui, hoje nós temos o
Museu Histórico que tem as suas falhas, foi um Museu criado em 1984
e que até hoje infelizmente não teve uma atenção
especial das autoridades municipais que deveriam tê-lo melhorado, um
Museu criado há 20 anos atrás que deveria ter recebido uma modernização,
uma museugrafia mais atual, hoje nós temos lá a Sra. Clara Amelia
que é uma abnegada mas que trabalha praticamente sozinha. Infelizmente
o Museu, às vezes, é tido como uma coisa antiga, que guarda
coisas velhas, onde alunos visitam correndo o Museu, os colégios visitam
sem dar tanta importância, mas eu tenho muito carinho pelo Museu Histórico
de São Francisco do Sul e espero que os próximos Prefeitos que
aqui vierem valorizem muito mais.
Portal Net Babillons
De que forma aconteceu a sua Especialização em Museologia Naval?
Barcellos
Bem aí são duas coisas distintas, a minha parte de especialização
eu declinei de uma carreira operativa, uma carreira que seria feito na base
dos navios e submarinos que foi a minha especialidade, para daí então
ir para o Serviço de Documentação, lá eu direcionei
a minha vida na parte de Museus, fui o Diretor Chefe do Departamento de Museu
Naval e Oceanográfico no Rio de Janeiro, na Rua Dom Manoel e à
frente do Museu Naval nós tivemos a oportunidade de frequentar vários
Congressos, Cursos no Brasil e no Exterior cuminando com Curso de Museus Marítimos
realizado no Mystic Seaport Museum em Connecticut, nos Estados Unidos, esse
Curso me deu um conhecimento maior porque os Estados Unidos junto com outros
países de primeiro mundo trata com muito cuidado essa parte de Museu.
O Museu nada mais é do que a prova viva daquilo que aconteceu no passado
e daquilo que pode ocorrer inclusive no futuro, e lá no Mystic Seaport
eu me especializei nessa parte de Museu Marítimo que é dedicado
a caça da Baleia, não pesca porque Baleia não é
peixe, então esse Museu me deu a oportunidade de fazer essa especialização
então a partir daí eu continuei no Rio de Janeiro até
que em idos de 1993 se eu não me engano, fui indicado para compor o
grupo que criaria o Museu Nacional do Mar como representante da Marinha porque
naquela ocasião o grupo seria formado por representantes do Governo
do Estado de Santa Catarina, pela Prefeitura de São Francisco do Sul
e pelo Ministério da Marinha e essa representação ficou
comigo. O Museu Nacional do Mar foi uma criação do Arquiteto
Dalmo Vieira Filho contou com esse respaldo, com esse grupo que ajudou a montar
o Museu.
Portal Net Babillons
Com referência ao único Museu Temático Naval da América
Latina, o Museu Nacional do Mar que fica em São Francisco do Sul, qual
foi sua contribuição e a da Marinha?
Barcellos
A minha contribuição na criação eu considero pequena,
a Marinha podia ter se envolvido mais na criação desse Museu,
ela se envolveu muito pouco apesar de haver esse grupo de trabalho, eu não
posso dizer de outra maneira, mas houve uma participação pequena
da Marinha eu acho faltou entendimento das autoridades da importância
desse Museu, mas em contrapartida voltei como primeiro Administrador depois
da Inauguração do Museu Nacional do Mar, isso em 1994. Eu ainda
estava na ativa e por solicitação do então Governador
Wilson Kleinnubing fui colocado a disposição do Governo do Estado
de Santa Catarina para assumir a Administraçãodo do Museu. Acho
que foram 4 anos que eu fiquei a frente do Museu, de muito trabalho onde o
que a gente conseguiu, foi a custo de muito sacrifício porque não
havia verba para dar uma roupagem inicial no Museu. O que eu encontrei eram
Barcos colocados de qualquer maneira, eram peças sem nenhum tipo de
tratamento Museológico; isso tudo em 4 anos foi arrumado, tudo colocado
num ponto inicial, mas muito longe como hoje ainda está esse Museu,
da gente poder garantir que é realmente uma Instituição
Museológica há muito o que fazer ainda no Museu Nacional do
Mar, eu fiquei de 1994 até 1998, considero uma contribuição
positiva e de lá saí única e exclusivamente por motivos
políticos, infelizmente nesse País em que vivemos não
interessa a especialização, interessa o partidarismo e eu não
sou político, eu fui um técnico dentro de uma área que
foi pleiteada por políticos e apesar do meu esforço, do trabalho
que foi desenvolvido em 4 anos eu tenho hoje o desgosto de ver que o Museu,
muito pouco andou depois de 1998, não houve evolução.
Nós não temos no Museu Nacional do Mar nenhum tipo de controle
de acervo, nenhum tipo de trabalho de restauração séria,
nenhum tipo de trabalho de catalogação de peças foi feito,
nós hoje temos um depósito de embarcações e quero
crer que no futuro isso vai mudar. O destino desse Museu, de ser o único
na América do Sul e dentro da tipologia de embarcações
que nós temos no Brasil que é uma tipologia fantástica,
um Museu que possa passar para as pessoas informações, que possam
fazer com que o visitante interaja com essas embarções e que
tenha antes de tudo um respaldo técnico, um respaldo científico
que possa servir como base de dados para estudantes, para pesquisadores. Para
isso é que serve o Museu, não apenas para mostrar algo interessante
mas que possa servir de base de dados , de trabalho para todos os pesquisadores.
Portal
Net Babillons
Barcellos, você dá Palestras sobre Museologia Naval?
Barcellos
Eu sempre estarei
aberto para qualquer tipo de convite, é obvio que eu não me
considero nenhuma autoridade que possa palestrar sobre qualquer assunto, acho
que a gente tem que entender, que tenho uma experiência de vida e essa
experiência pode ser contada e relatada e óbviamente no momento
não penso nesse tipo de atividade, mas eu estou aberto a qualquer um,
posso perfeitamente conversar sobre as minhas experiências e especialidade
desse setor, estou a disposição para qualquer tipo de oportunidade
que apareça nesse sentido.
Portal Net Babillons
Em
suas viagens a outros Países, quais os que você pode citar como
exemplo de Preservação e Cultura?
Barcellos
Isso é uma coisa que a gente tem que pensar do seguinte ponto, quando
se visita um País de Primeiro Mundo as necessidades básicas
já foram todas supridas, então lá não existe fome,
falta de saneamento básico, esses Países tem uma Preservação
Cultural, uma Preservação Histórica e Artística
muito grande, óbviamente, em contraponto com os Países em Desenvolvimento
porque as necessidades ainda estão prementes, ninguém vai dizer
que tem que preservar um prédio enquanto todo mundo está passando
fome na rua, mas é preciso ter um meio termo, a importância da
preservação para mim é fundamental. Agora qual é
a verba que se destina a isso nos Países em Desenvolvimento, como o
Brasil? essa verba é muito pequena, já nos Países de
Primeiro Mundo existe uma verba muito bem direcionada mesmo porque isso depois
gera mais dinheiro, isso gera Turismo. Inclusive aqui em São Francisco
do Sul é uma pena que a gente tenha um cenário como esse digno
de figurar em qualquer local de Turismo do Mundo, mas é mal explorado.
A exemplo dos outros Países nós deveríamos ter meios
de divulgar mais nossas cidades, para ter um Turismo mais consistente que
gerasse mais empregos e que fosse como é o hoje no Mundo todo a 2ª
Indústria, a do Turismo , depois da 1ª Indústria, a da
Informática. No Brasil isso ainda não está sendo repensado,
é importante que essa evolução entre na cabeça
dos nossos Políticos.

Eros Damiam Pereira, Diretor do Portal Net Babillons entrevistando Maurício
de Barcellos Sant'Anna.
Na ocasião Barcellos abriu as portas de sua charmosa residência
dando uma bela recepção à Equipe do Portal Net Babillons.
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Portal Net Babillons
Em que outros
Países existem Museus Temáticos do Mar?
Barcellos
Essa temática
Naval é explorada no Mundo inteiro, os países de Primeiro Mundo
tem cidades que são verdadeiros Museus, Concarneau na França
é um exemplo delas, o próprio Mystic Seaport recria toda uma
cidade que vivia da caça da Baleia e assim se vocês verificarem
existem vários Museus, Navios-Museus pelo Mundo inteiro o Belfast,
que está no rio Tamisa, em Londres; a Inglaterra inteira é cheia
de exemplos, nós temos o Mary Rose que foi içado do fundo do
mar que hoje é uma coisa fantástica, em toda a Escandinávia
existem Navios-Museus. A preocupação em cuidar da sua história
Naval, da sua história Marítima é uma constante em todos
os Países de Primeiro Mundo porque é a partir dos Navios que
você consegue ter exemplos de vida e como era um Navio naquela época.
É uma nave espacial de hoje, ali dentro naquele Navio tinha toda a
tecnologia da época, ele tinha os exemplos de convivência das
pessoas; se você consegue pegar um Navio inteiro do século XVII
e consegue mostrá-lo hoje, você tem um exemplo da vida do século
XVII, se você tem um navio do século XIX, um tipo de vida do
século XIX, então você sabe como era o século XIX
. Os Navios, os Museus Marítimos, os Museus Navais são pontos
importantíssimos do primeiro mundo para que as pessoas pesquisem, visitem
e se instruam sobre a vida daqueles países, é fundamental que
a gente aqui no Brasil entenda isso, hoje no Rio de Janeiro nós temos
o Centro Cultural da Marinha, o Navio Museu Baurú que pertenceu a Marinha
durante a 2ª Guerra Mundial com todas as características de um
Navio da 2ª Guerra Mundial, temos também o Laurindo Pita, um Rebocador
que participou da 1ª Guerra Mundial, temos um Submarino Museu Riachuelo
um dos primeiros Submarinos construído exclusivamente para o Brasil
que foi da classe Oberon então ali você tem uma tecnologia, um
tipo de vida, um casúlo que mostra exatamente todas essas referências.
Os Museus Marítimos são de fundamental importância, infelizmente
no Brasil, nós só temos em São Francisco do Sul e esse
Núcleo que falei no Rio de Janeiro, eu não conheço outros
Museus no Brasil a não ser o Oceanográfico, no Rio Grande-RS
que vai tratar mais da Biologia Marinha. Mas a interação Homem
- Mar através dos Navios é muito importante e essa temática
é estudada no Mundo inteiro.
Portal Net Babillons
Quanto a criação
de uma área Pedagógica e Didática sobre o Museu Nacional
do Mar, onde o Estudante de maneira geral tenha acesso ao conhecimento, qual
sua opinião?
Barcellos
Eu não diria nem no Museu Nacional do Mar, diria que todo e qualquer
Museu, se presta muito bem para qualquer aula, se você quiser falar
sobre Geografia você pode chegar no Museu Nacional do Mar e conhecer
as características físicas e climáticas de cada região
através do exemplo das embarcações, porque uma Jangada
do Nordeste, ela não tem nenhum tipo de cobertura porque é uma
região seca que chove pouco então o pessoal não precisa
se preocupar, já na região Amazônica as embarcações
são todas cobertas porque tem muita chuva, aquela Floresta Tropical
faz com que muita chuva aconteça, então isso o estudante já
começa a pensar e se questionar porque esse é coberto e aquele
não é coberto. Agora você vai para a História,
qual a influência de um Holandês no Brasil, você vê
coisas de uma embarcação holandesa como uma bolina lateral que
junto de uma canoa baiana, uma canoa nordestina porque isso foi trazido por
holandeses, existe uma influência de um povo que foi invasor na própria
embarcação e isso ele deixou aqui, então se você
abrir o leque vê que o Museu é uma Sala de Aula, pode usando
aquilo a exposição permanente do Museu usando a temática
do Museu você pode perfeitamente desenvolver programas educacionais
para diversas disciplinas e até descrever épocas que está
presente no material que é usado, você vê embarcações
que tem cabos de cisal pois não existia o fio de naylon, tem embarcações
com vela de cânhamo, se hoje encontrasse materiais sofisticados mas
permanece a forma, o formato, a origem. Foi por isso que eu me apaixonei por
Museus, é um espaço tão diversificado que se tiver criatividade,
conhecimento podera ser desenvolvido um trabalho educacional fantástico
dentro de uma das salas do Museu.
Portal Net Babillons
Fale um pouco
de sua família?
Barcellos
A família para nós que somos de Marinha é sempre o Porto
de chegada. Estou casado desde 1981 com a Marilda e nós temos uma filha
a Fernanda, tenho dois filhos do primeiro casamento, o Maurício está
no Exercíto e o Marcelo é Engenheiro, então eu posso
agradecer a Deus pelo que me foi dado em termos de família, até
hoje são aquelas pessoas que sempre me apoiaram.
Portal Net Babillons
Na Literatura,
Livro de cabeceira, o que você lê?
Barcellos
A Literatura é fantástica para mim, é uma coisa que aprendi
ao longo da vida, dedicar um tempo para a leitura, hoje eu estou conhecendo
os Livros Espíritas, tive a oportunidade de ler algumas obras do Chico
Xavier, Carlos Torres Pastorim que são pessoas que trazem ensinamentos
ou pelo menos algumas observações que devem ser pensadas e levadas
em consideração. No momento eu estou relendo a obra de Jorge
Amado já com outra cabeça: 'Jubiabá', 'Pastores da Noite'
então você pensa que é um trabalho sociológico
muito importante. Tem ocasiões da sua vida, principalmente na juventude
que você não traça um paralelo com a sua vida, hoje você
já vivenciou experiências e pode dizer eu estou lendo um livro
que são coisas que praticamente já vivi, então essa obra
de Jorge Amado tendo em vista a realidade brasileira é muito importante
ser pensado assim, da mesma forma o livro 'Casa Grande e Senzala', de Gilberto
Freire que mostra a vida social da família brasileira, são livros
que ficam para sempre, eu acho que a juventude tem que entender que isso é
o muito importante.
Portal Net Babillons
No Cinema, seus
Filmes Prediletos?
Barcellos
Cinema é antes de tudo um lugar de sonho e diversão. Sou do
tempo em que no Rio de Janeiro, quando eu era pequeno, ia aos grandes Cinemas,
à Cinelândia como era chamado, e trocávamos gibi na porta
do Cinema, conversávamos, fazia encontro com as primeiras namoradas
e hoje isso tudo se diferenciou muito. Eu sempre gostei do Filme que você
sai do Cinema mais leve, não daquele que se sai por baixo, é
uma maneira que temos de esquecer um pouco o dia-a-dia, de ver coisas novas.
Respeito os filmes "cabeça", mas tenho um carinho muito especial
por Filmes Antigos. Cinema para mim é uma coisa mais leve, é
uma coisa mais sonhadora e mais romântica, onde você sai dali
para sua realidade mais renovado, com as baterias recarregadas
Portal Net Babillons
Na TV, o que você
costuma assistir ?
Barcellos
Eu gosto da TV
à Cabo, da TV por Assinatura onde tenho um leque maior de opções
para assistir. Porque a TV Aberta, fora os Jornais, as Reportagens, um ou
outro programa o restante não me atrai.
Portal Net Babillons
Na Gastronomia,
suas preferências?
Barcellos
Quando
entrei para a Marinha eu aprendi a comer o que vinha pela frente. Eu gosto
muito da Culinária Brasileira, é um dos grandes prazeres que
a gente tem que cultivar, não tenho nenhuma restrição
alimentar. Adoro a Feijoada e a Moqueca de Peixe que a minha esposa faz, que
não tem nada igual, é fantástico!
Portal Net Babillons
Um
Homem e uma Mulher Públicos no Brasil, dignos do maior respeito, merecedores
de Homenagem ?
Barcellos
No Brasil eu vejo
muito holofote geralmente no político, o "grande homem" é
cheio de holofotes, então eu ficaria com os Irmãos Villas Boas
que dedicaram a vida inteira a um trabalho humanitário junto aos Índios
e eu ficaria com uma figura que pouca gente lembra de falar em termos feminino
que é a Irmã Dulce, que fez um trabalho ótimo junto aos
moradores das palafitas de Salvador, junto aos Hospitais Carentes, que não
tiveram esses holofotes, ela é a nossa Madre Tereza de Calcutá,
trabalhou em silêncio o tempo todo em favor dos pobres, dos mais necessitados.
Portal Net Babillons
Como
você vê a presença da Mulher na Marinha ?
Barcellos
Isso é
algo que chegou tarde demais, acho que não se pode descriminar homem
de mulher hoje em dia, dizer que o homem pode e a mulher não pode.
Isso foi um trabalho que começou com Almirante Maximiliano da Fonseca,
na época que ele era Ministro da Marinha e que trouxe um benefício
enorme para a Marinha do Brasil e esse exemplo foi seguido depois pela Força
Aérea Brasileira, pelo Exército, pelas Polícias Militares.
A Marinha foi pioneira nessa obra de congraçar a Mulher no mercado
de trabalho que ela merece, porque é só desenvolver intelectualmente,
é desenvolver fisicamente que ela tem toda e qualquer disposição
para trabalhar em qualquer área de atividade, eu considero muito bem
vinda e tenho grandes pessoas que trabalharam na Marinha e que conheço
até hoje, e para mim foi muito bom isso.
Portal Net Babillons
Como
Pessoa Culta, qual a sua opinião a respeito dos 500 Anos de São
Francisco do Sul ?
Barcellos
É uma oportunidade
que a Cidade tem para aparecer no cenário Nacional e Internacional
e haja vista as ligações com a França, visando isso tudo
é uma oportunidade para que São Francisco do Sul que tem muita
para mostrar em termos de Natureza, que tem muito a oferecer ao turista, acho
que é hora de se sacudir. Eu não acho que aqui seja o local
adequado para se implantar um Pólo Industrial, mas sim um Pólo
Turístico por execelência e esses 500 Anos é o gancho.
Não se pode falar somente de Praia, porque Praia tem no Brasil inteiro,
mas de gastronomia, passeios e folclore. E que os 500 anos que todo mundo
está falando traga algo de concreto para São Francisco do Sul,
não só a Festa, porque festa começa e acaba, mas que
fique um embasamento forte para o Turismo de qualidade na área de Santa
Catarina.
Portal Net Babillons
Deixe
um Conselho para os Universitários Brasileiros?
Barcellos
Quem sou eu para
dar um conselho! Mas faço um pedido aos Universitários: Leiam
mais, Leiam sempre, isso é Fundamental.
São Francisco do Sul - SC, 24 de Outubro de 2003.