Perfil
Hiran
Pantaleão de Mello Alves é um Carioca da Gema, Militar de Carreira,
vive e ama o que faz, é desses Homens que nasceram com vocação
militar, fala com orgulho do trabalho que faz na Marinha.
Hiran é Casado, tem dois filhos e desfruta muito bem de sua linda família,
ele gosta de viver com intensidade os momentos do cotidiano no trabalho e
em casa.
Segue um dos maiores fundamentos basilares da Marinha do Brasil, que é
Disciplina, Organização,
Obediência e Hierarquia. Serve na Marinha com vontade inquebrantável,
está
sempre de bom humor, tem carisma e por onde tem passado, tem deixado saudades.
Entrevista
Portal Net Babillons
Comandante Mello Alves quantos anos está fazendo a Delegacia da Capitania
em São Francisco do Sul?
Mello Alves
A Delegacia da Capitania dos Portos em São Francisco do Sul foi criada
pelo Decreto n° 12.886, de 20 de fevereiro 1918, foi instalada e começou
a funcionar em 15 de abril, ou seja comemoramos 86 anos de instalação
da Delegacia aqui na cidade de São Francisco do Sul.
Portal Net Babillons
A Marinha irá realizar algum evento comemorativo neste aniversário
em São Francisco do Sul?
Mello Alves
Sim, com certeza, nós estaremos envolvidos também participando
do aniversário de 157 anos de Emancipação do Município
de São Francisco do Sul, estaremos trazendo uma Banda da Escola de
Aprendizes, um pelotão de Marinheiros para desfilar além do
que também haverá a presença do Navio da Marinha, Patrulha
Benevente, aberto para visitação no Porto de São Francisco
do Sul; além disso no dia 15, na parte da tarde, faremos uma cerimônia
militar aqui dentro da Delegacia, um evento em comemoração aos
86 anos de instalação da Delegacia.
Portal Net Babillons
Como é para o Senhor Servir em São Francisco do Sul, uma Cidade
com 500 Anos?
Mello Alves
Para mim é uma honra e um grande prazer, eu pedi muito para vir servir
aqui e um dos maiores motivos é a minha esposa ser catarinense a sua
família também ser do Estado de Santa Catarina.
Eu já conhecia a região Sul de 1994 quando servi em Rio Grande
e conheci o Estado de Santa Catarina, estive aqui por diversas vezes, pois
fazíamos viagens para Itajaí, São Francisco do Sul e
Imbituba. Então para mim é uma grande satisfação
em servir aqui, por ser um povo muito hospitaleiro, um povo muito receptivo
e é o que eu sempre digo, cada dia me sinto bem vindo à cidade
de São Francisco do Sul não me senti bem vindo só na
primeira vez, mas todo dia; onde passo as pessoas me cumprimentam, as pessoas
falam bom dia, chamam pelo nome e para mim isto é muito confortante.
Eu diria que isto não é nada usual nas grandes cidades como
Rio de Janeiro, São Paulo ou até mesmo em algumas cidades da
região sul, onde somos abordados por uma pessoa, nos dando bom dia
fica-se assustado pensando se a pessoa tem uma segunda intenção,
achando que tem perigo de assalto ou que pode ser uma ameaça qualquer;
então aqui em São Francisco do Sul eu sou sempre bem vindo,
em cada esquina, em cada loja que vou, a cada repartição as
pessoas sempre me tratam com muita diligência, com muito respeito não
pelo meu cargo, mas pelo respeito que todas as pessoas tem e merecem.
Portal Net Babillons
Como a Marinha do Brasil vê o Museu Nacional do Mar em São Francisco
do Sul, em Santa Catarina?
Mello Alves
O Museu Nacional do Mar foi uma grande aquisição, "ele"
foi uma idéia genial eu diria assim, o Brasil é um país
com vocação marítima que tem mais de 8 mil quilômetros
de costa, um país que faz 80% das suas exportações por
mar e não havia ainda um espaço dedicado para o mar, havia inúmeros
museus que tratavam de diversos assuntos, menos das coisas ligadas ao mar,
então a criação e instalação do Museu Nacional
do Mar já foi uma grande idéia e São Francisco do Sul
se parece muito com o Brasil porque tem vocação marítima,
tem 500 Anos, também tem um dos maiores Portos do País e abriga
o Museu Nacional do Mar. Acho que deveria ser obrigação de todo
Francisquense conhecer o Museu Nacional do Mar e eu acredito que o turista
deve ser orientado a procurar o Museu Nacional do Mar para se deliciar, tomar
um banho de cultura sobre a navegação brasileira, sobre as embarcações
que o Brasil já possuíu e opera, sobre a vida do pescador, sobre
a vida do profissional do Mar, aquele que vive do Mar e vive para o Mar.
Portal Net Babillons
O Militar de Marinha gosta de frutos do mar em suas refeições,
considerando que este alimento rico é saudável para o ser humano?
Mello Alves
O Militar da Marinha ou o profissional do mar, o aquaviário marítimo,
nós gostamos como todo mundo. Antigamente há muito tempo atrás
os navios, as caravelas, as naus que vieram aqui, para o Brasil, eles não
tinham como armazenar alimento fresco, este logo estragava se exauria então
era comum que se levasse nos navios, nas caravelas, nas naus, e se tinha um
compartimento onde eram guardados por soldados, pois a ração
de alimento era curta, então havia um compartimento onde eram levados
as provisões e também levava-se alimentos vivos como porco,
cordeiro, galinha, diversos animais e eles ficavam ali guardados mas tinham
que ser consumidos rapidamente, porque logo morriam, então tinham que
ser lançados ao mar como alimento estragado, naquela época o
fruto do mar era muito bem vindo, quando eles faziam uma boa pescaria tinha
carne fresca durante um bom período. Hoje em dia com navios mais modernos
com grandes frigoríficos o navio consegue se abastecer com todos os
tipos de gêneros de carnes, inclusive não frigorificados, mas
resfriados num período de até 45 dias sem precisar reabastecer,
isso no Brasil, em países mais desenvolvidos eles conseguem um provisionamento
de 3 meses ou mais.
Mas o fruto do mar ainda assim é muito apreciado, em primeiro lugar
pelo sabor e nós não só nos preocupamos com a riqueza
nutricional do alimento, mas sim com a riqueza do sabor que proporciona e
é sempre bom desfrutar de um bom peixe e isto a bordo nós também
conseguimos.
Portal Net Babillons
Qual a importância da Família para o Militar de Marinha?
Mello Alves
A Família, ela é o esteio para o Marinheiro, é o suporte,
é em quem ele se segura quando está sozinho no mar. Quando ele
se vê sozinho na imensidão do mar onde não vê terra
nenhuma para olhar, ele olha vê água, onde vê o sol nascer
e se pôr no mar, então é nesses momentos que a gente lembra
da família e quem tem a foto da esposa, dos filhos, da namorada, dos
pais, é com quem ele se apega e nesse conforto para o regresso ao lar.
Quando a gente volta das viagens cumprindo a missão, se tem o conforto
do lar, o chamego da esposa, o carinho dos filhos e é isso que nos
torna seguros, é o que nos dá forças para continuar a
caminhada, continuar nas nossas investidas, continuar as nossas viagens, que
muitas vezes são longas, umas são poucos dias, mas outras são
muitos meses, então isso é o que dá segurança
para continuar, pois temos este esseio, esse alicerce, um porto seguro para
descansar nosso corpo e nosso navio.
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A Marinha do Brasil e a Comunidade?
Mello Alves
A Marinha desenvolve diversos Programas Sociais em todo o Brasil, eu tive
a felicidade de comandar um Navio no Mato Grosso do Sul, era o Navio Patrulha,
ele ficava patrulhando o Rio Paraguai e além das patrulhas fluviais
que nós realizávamos por lá, nós fazíamos
as chamadas operações ACISO que é a sigla de Assistência
Cívico e Social, não era só meu Navio, mas todos os Navios
faziam essa operação, nos levávamos Médico, Dentista,
às vezes o Tabelião do Cartório, levávamos um
Agente Sanitário para fazer a Vacinação Infantil e fazíamos
coleta na sociedade de escova de dente, sabonete, creme dental, e às
vezes nos diziam, mas porque levar o Tabelião? Porque existem certas
comunidades afastadas das Cidades onde não há ninguém
registrado, eles não existem para o País até aquele momento,
onde o Censo não chega por dificuldades mesmo, de locomoção,
às vezes essas áreas ficam alagadas por longos períodos
e eles ficam isolados, sobrevivem lá e tratam de ferimentos com ervas,
com coisas da terra mas muitos deles morrem. A saúde bucal é
muito precária as crianças não recebem a vacinação
adequada, então nós aproveitávamos para fazer isso, mas
além dessa existem outras Campanhas, como a operação
Cisne Branco que nós vamos começar a desenvolver a partir do
próximo mês, que visa divulgar a Marinha para as Escolas Públicas,
Particulares para a Comunidade, a parte do civismo onde a gente procura trazer
jovens para dentro da Marinha para apresentar os valores cívicos como
a Bandeira Nacional, o culto à Bandeira, aos valores da Pátria,
a honestidade que são valores bons que tem se perdido ao longo dos
anos, mas a gente procura fazer esse trabalho não é só
com assistência cívica, a gente também procura trazer
uma assistência social e cultural para essas pessoas.
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A participação da Marinha do Brasil nos Quinhentos Anos de São
Francisco do Sul?
Mello Alves
A Marinha tinha a intenção de colocar principalmente no dia
5 de Janeiro deste ano, uma grande quantidade de meios que fossem navais,
aéro navais e de fuzileiros navais, mas todos nós sabemos que
o Brasil, não só a Marinha vive uma dificuldade muito grande
de recursos e isso é para que se possa ajustar as contas, é
como um orçamento familiar, estava se gastando mais do que se recebia,
então estamos tendo que ajustar nossas contas e a Marinha também
sofreu com isso, e infelizmente nós não tivemos como colocar
aqui mais meios do que vieram, apesar de que nós colocamos dois Navios,
um Contingente mesmo que pequeno de Fuzileiros Navais, trouxemos dois Canhões
de Salva que fizeram Salva de 21 Tiros, de Salva da Terra e uma Aeronave que
fez um sobrevôo no dia 5 de Janeiro por ocasião da Inauguração
do Monumento Alusivo aos 500 Anos e durante o ano com certeza mais Navios
estarão vindo aqui à São Francisco do Sul. No ano passado
nós tivemos aqui a presença de 5 Navios, durante todo o ano
de 2003 e só neste ano de 2004 até o mês de Abril nós
já tivemos a presença de 5 Navios e no dia 15, amanhã,
estará atracando o Navio Patrulha Benevente para quem se lembra o Navio
Patrulha Benevente que tem indicativo de costado P61, foi inclusive o que
participou das buscas aos náufragos do fenômeno "Furacão
Catarina" que acabou de acontecer e nessa época, o Benevente estava
atracado aqui em São Francisco do Sul e suspendeu por emergência
para efetuar um evento SAR que é um Resgate Salvamento, conseguiu resgatar
dois Pescadores Náufragos, os demais não foi possível
e agora para o dia 15 ele estará desfilando com o seu contingente e
estará aberto para visitação pública aqui na Cidade
e ao longo do ano nós estaremos trazendo mais pelotões de Fuzileiros
Navais, um Contingente com Aeronave para fazer mais inspeções
navais, a Banda Marcial dos Fuzileiros Navais, existem estudos para que ela
venha aqui em São Francisco do Sul também por Junho ou Julho
e também Navios da Esquadra, Submarinos, Aeronaves, tudo o que a gente
puder trazer para aumentar o brilho da Festa dos 500 Anos de São Francisco
do Sul.
Portal Net Babillons
Qual foi a Sua Maior e Melhor Emoção vivida como Militar de
Marinha?
Mello Alves
A
minha maior emoção foi quando me formei na Escola Naval, em
13 de Dezembro de 1989 quando já havia recebido a Espada e as Platinas
de Guarda Marinha e cantamos a música "Adeus Escola da Marinha"
que é uma música que cantamos quando nos formamos, aquela sim
foi a maior emoção porque foram 4 anos muito duros, de muitas
dificuldades, com 4 anos de internato então aquele momento foi o mais
especial para mim. Agora momentos emocionantes na minha vida de Marinha tem
muitos, quando assumi o Comando do Navio Patrulha, quando assumi aqui em São
Francisco do Sul a Delegacia, quando participei como observador de segurança
de uma Torreta, de um Porta Torpedeiro dando tiros de canhão e tantos
outros que a gente perde até as contas.

O Delegado da Capitania dos Portos em São Francisco
do Sul-SC, Hiran Pantaleão de Mello Alves, é Entrevistado pelo
Diretor do Portal Net Babillons, Eros Damiam Pereira.
Veja seu Curriculum
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O Jovem Brasileiro se interessa muito mais pela Marinha de hoje para ser Militar
do que nas décadas do Ano 1980 para trás, qual seria o Motivo?
Mello Alves
A Marinha de 80 para cá fez uma grande reformulação,
já começou com o Almirante Maximiliano da Fonseca que era o
Ministro da Marinha, na época ele começou a fazer a modernização
da Marinha e isso desperta o interesse do Jovem hoje. A Marinha está
mais informatizada, ela já está mais dentro do Mundo e também
a Mídia, a Propaganda que a Marinha tem feito de si mesma e na Televisão,
nos Jornais, em Cartazes que são distribuídos, e a própria
Marinha abraçou a Tecnologia, antigamente nós importávamos
a Tecnologia dos Estados Unidos e alguma coisa da França. Hoje em dia
já estamos desenvolvendo Tecnologia, uma Força Armada ela não
pode viver importando tecnologia, porque em uma Crise, num momento de Conflito
a Tecnologia nos seria negada, então temos que desenvolver tecnologia
própria em todos os campos, seja em armamento, comunicações,
até mesmo na Construção Naval. O Brasil hoje para quem
não sabe é o único País do Hemisfério Sul
que constrói e repara Submarinos, muita gente diz : A África
do Sul, a Austrália, mas não, eles não constróem,
muito menos reparam, eles só operam, em todo o Hemisfério Sul
só quem faz isso é o Brasil, que produz apenas para seu uso
interno e próprio, nós ainda não estamos fabricando para
a Exportação até porque interesses econômicos externos
de outros Países dificultam isso, porque a construção
de um Submarino é muito cara para o País. Países como
Estados Unidos e Alemanha eles tem maior facilidade e sai tudo muito mais
barato, então nós não teríamos como competir nesse
mercado, fica tudo muito difícil. Ou seja, nós desenvolvemos
a área de Engenharia Naval de Construção e também,
está sendo notícia o enriquecimento do urânio que também
foi a Marinha quem desenvolveu e estamos na fase de Projetar o Reator Nuclear.
São duas partes difíceis; uma é enriquecer o combustível
para ser utilizado no Reator e outra é construir um Reator Nuclear
seguro, então o Brasil também está caminhando bem nesta
área.
Portal Net Babillons
Como é Administrar o Verão de São Francisco do Sul, no
que diz respeito a fiscalização, cumprimento das normas e leis
e o fato de associar didaticamente a conscientização do povo
para respeitar mais a sua vida e a do próximo na faixa Litorânea?
Mello Alves
Este verão de São Francisco do Sul foi um verão muito
fácil para a Marinha, para a Delegacia porque foi um verão atípico,
choveu muito, então a atividade náutica esportiva diminuiu bastante.
Mas, administrar não tem sido difícil mas, também não
é fácil. Existe uma consciência ecológica muito
forte, as pessoas que procuram o litoral de São Francisco do Sul, graças
a Deus, são pessoas muito educadas, a gente não tem como precisar
a procedência, eu sei que vem muitos de Curitiba, muitos do norte catarinense,
são pessoas bastante educadas que entendem o nosso trabalho. Nós
criamos
um folder de educativo de conscientização, aproveitando a idéia
do programa "Águas Limpas e Seguras" fizemos para o verão
de 2003 e refizemos para 2004 e foi muito bom, foi muito bem usado, nós
distribuímos nas Marinas, Pousadas, Hotéis, nos Clubes Náuticos;
houve pouquíssimos casos de denúncias de pessoas que fizeram
mau uso de suas embarcações fazendo exibicionismo, demonstrações
de habilidades, pois existem lugares próprios para se fazer exibicionismo,
não nas nossas praias que tem crianças, momentos de lazer onde
as pessoas querem aproveitar o final de semana, aproveitar suas férias;
mas graças a Deus nós aqui não registramos nenhum acidente
e isso não foi por falta de turistas, pois na cidade como todo o litoral
haviam muitos turistas e tudo correu na maior normalidade, não tivemos
nenhum aborrecimento mais sério.
Portal Net Babillons
Uma Mensagem sua aos Universitários Brasileiros?
Mello Alves
Aos Universitários Brasileiros eu digo façam como a minha experiência
de vida sou Oficial da Marinha por convicção, sempre quis ser
um Oficial de Marinha, fiz uma universidade na Marinha. A Escola Naval é
uma universidade na Marinha e eu aprendi a ser um Oficial de Marinha e gosto
de ser um Oficial da Marinha então o importante para todo Universitário
é fazer o que gosta, muitas vezes o jovem diz que vai seguir uma certa
profissão porque rende mais, mas ela só irá render mais
para quem gosta daquilo, quem tem habilidade e a profissão só
vai dar dinheiro mesmo para aquele que se dedica e a pessoa só vai
se dedicar mesmo quando for de coração. Uma expressão
que eu dizia para os alunos do Colégio Naval: é que ele tem
que sentir um amor vísceral por aquilo que está fazendo e gostar
muito do que faz, ou seja, se ele for médico tem que ser um bom médico,
o médico tem de gostar das coisas da medicina, se ele for advogado
tem que gostar de direito, tem que gostar das coisas da lei, o engenheiro
tem que gostar das coisas da engenharia tem que ser o melhor de si mesmo,
tem que procurar e se dedicar de corpo e mente para a sua profissão.
Vocês Universitários dêem tudo de si para aquilo que gostem,
queiram fazer e amem com fervor.
Portal Net Babillons
Um Conselho seu para os Jovens que desejam ingressar na Carreira Militar da
Marinha do Brasil?
Mello Alves
A Marinha é uma força armada e o Militar baseia sua vida em
dois conceitos basilares que são a hierarquia e a disciplina, a gente
nunca pode e nunca vai fugir disto e a gente já começa a cultivar
isto dentro de casa então aquele jovem que quer servir e se dedicar
a vida de Marinha que estude muito, a vida de um Marinheiro é sempre
estudando, se dedicando, outra coisa seja obediente, busque sempre a hierarquia
e a disciplina. A disciplina dentro de casa como: respeitando seus pais, seus
irmãos, dentro de uma individualidade, cada um tem que respeitar o
espaço do outro e obedecer mesmo seus pais a vida inteira, porque depois
que entrar para a Marinha vai ter que obedecer como Militar e nem sempre cabe
o questionamento na Marinha como Oficial a gente tem a função
de assessoria, cabe o momento de se ponderar que é durante o momento
de estudo do estado maior mas existe o momento de se cumprir onde a decisão
já foi tomada, não cabe mais ponderar só cabe o cumprimento.
Tem que
projetar no futuro se é isso que se quer durante a vida inteira, tem
que saber que vai ter que acordar cedo todo dia, não é só
um momento durante o estudo, durante 4 a 5 anos não, é durante
os 30 a 40 anos que vai trabalhar para Marinha, isso é o que vai ter
que fazer a vida inteira.
Portal Net Babillons
Comandante Mello Alves, o que a Marinha proporciona na vida de um Militar?
Mello Alves
Aqui a gente conquista, tem muitas aventuras. A Marinha me proporcionou coisas
fantásticas, eu digo que tudo o que tenho devo a Marinha, ao meu trabalho
na Marinha. Tudo, a minha família, até minha esposa que conheci
quando vim servir a Marinha em Rio Grande. E ''ela'' me proporcionou coisas
maravilhosas, pude conhecer outros países, pude conhecer outras culturas,
pude trocar conhecimento com outras nacionalidades, conversar, fazer planejamento
com pessoas de outros países, nós pudemos participar de um planejamento
militar no Paraguai, discutimos táticas e durante esse planejamento
conversávamos sobre nossos países, tive também a oportunidade
de conversar com ingleses, alemães onde a gente fala sobre o Brasil
que eles não conhecem e eles nos falam sobre uma Alemanha e Inglaterra
que nós não conhecemos, às vezes temos uma visão
que lá é ideal, que é um país perfeito e muitas
vezes não é, tem suas mazelas, suas doenças que nós
não conhecemos e eles nos mostram. Então a Marinha me proporcionou
isso, momentos de lazer, cultura, mas muito trabalho também.
Portal Net Babillons
Comandante como fica a Família, Esposa e Filhos?
Mello Alves
Eu sou muito dedicado a minha Família, gosto de ir para casa. Bom,
quando vou para o trabalho vou contente porque gosto de ir para o meu trabalho
e quando saio do trabalho, saio contente porque gosto de ir para casa, gosto
de sentar a mesa com minha esposa Olímpia e meus filhos: Gabriel de
7 anos para jantar ou almoçar e o João Vitor de 6 meses, coloco
o carrinho ao nosso lado. Eu gosto de assistir televisão com todo mundo
no mesmo programa discutindo sobre um desenho animado, depois uma notícia
que saiu no jornal. Como eu já havia dito anteriormente a minha família
é este porto seguro, este esteio, um capacitor, quando estou estressado
ela me ajuda a desestressar, quando estou cansado me fortalece, quando estou
animado divide esta alegria comigo. A gente vive junto, viaja junto e a minha
família participa do meu trabalho como: eles sabem o que eu faço,
eles entendem o que eu faço, sabem que muitas vezes tenho que embarcar
e ficar 2 meses ausente, entendem estas ausências, sabem que um bom
militar pode ter que ir a uma área de conflito. Sabem que a minha passagem
aqui em Santa Catarina é temporária que o ano que vem vou ter
que ir embora e os amigos feitos aqui vão ficar só em cartas
e telefonemas, como foi assim quando sai de Angra dos Reis, Rio de Janeiro
mas, eles sabem que tem dificuldades e entendem, eu procuro entendê-los
também. A minha família é extremamente importante para
mim, sim!

O
Delegado da Capitania dos Portos em São Francisco do Sul-SC, Hiran
Pantaleão de Mello Alves,
sua Esposa, Olímpia dos Santos Ferreira de Mello Alves e
os Filhos, João Vitor (6
meses) e Gabriel (7 anos).
Portal Net Babillons
As suas Impressões sobre o Portal Net Babillons?
Mello Alves
Eu consulto o Portal Net Babillons pelo menos uma vez por semana e tenho visto
ali Entrevistas, Assuntos em pauta de Política, Economia e procuro
sempre estar me atualizando no Portal.
Acho muito bonito, de fácil navegação o que é
super importante, porque às vezes um Portal de difícil navegação
não nos deixa chegar no assunto.
Eu nem poderia acrescentar nada para o Portal Net Babillons só mesmo
a minha Entrevista, aconselho a todos consultarem o Portal e não somente
o seu assunto, se tiverem um tempo maior dêem uma navegada para saber
o que tem de bom, pois às vezes estamos com dúvidas em determinados
assuntos e ali esta a resposta.
Eu agradeço a oportunidade e acho que esta Entrevista é uma
maneira de divulgar a Marinha, eu gosto de divulgar a Marinha, gosto de quem
fala bem da minha profissão e a Delegacia da Capitania dos Portos de
São Francisco do Sul estará sempre a disposição
da Equipe do Portal Net Babillons e da Comunidade.
São Francisco do Sul - SC, 14 de Abril de 2004.
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