Perfil
Waldemar Niclevicz ainda menino já mostrava traços fortes de um conquistador, adorava o atletismo e seus pendores para desafio o pulsavam insistentemente, ainda jovem entrou para a escola militar e aí precipitou-se toda uma linha de desejos sobre conseguir quebrar os seus próprios recordes. Niclevicz para manter e conservar o excelente resultado da performance física que é exigido no Alpinismo, corre a risca os seus regimes balanceados, assistidos por nutricionistas, o seu físico semanalmente passa por uma bateria de exames médicos especializados para medir seu desempenho. É realmente um atleta disciplinado que concorre sempre consigo próprio em busca de melhores resultados. Além disso Niclevicz é a soma de uma série de interesses conectivos a sua profissão onde tem se doado a estudos antropológicos, arqueológicos, biológicos e sociológicos, essas interações fazem parte de suas expedições.
Entrevista
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Você é natural de onde?
Waldemar Niclevicz
Nasci em Fóz do Iguaçu - PR, mas hoje moro em Curitiba -
PR, na verdade paro em Curitiba porque viajo muito, fico pouco tempo em
casa, estou sempre correndo o mundo com a bandeirinha do Brasil na mochila,
escalando alguma montanha, isso já há 15 anos profissionalmente,
há 18 anos que caminho pelas montanhas.
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Quando você sobe em uma montanha, além do espírito
aventureiro e corajoso, essa montanha tem o significado de desafio ?
Waldemar Niclevicz
Existem muitas coisas que me atraem numa montanha, a questão do
desafio é uma das principais delas, mas a mais importante é
a questão do conhecimento. Eu adoro conhecer um lugar diferente,
com cultura e natureza diferente. Geograficamente a montanha preserva
muito essa cultura, povos e histórias que em outros lugares já
não estão tão preservados.
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Onde é que a Natureza é mais preservada no Planeta?
Waldemar Niclevicz
O que acontece com a natureza, é que em nenhum lugar do mundo ela
está tão preservada quanto no ambiente das montanhas, porque
ali o homem não conseguiu chegar e destruir, se destruiu foi só
o seu entorno e ela ainda se encontra num estado primaz, num estado intocável.
É fácil perceber isso na nossa Serra do Mar, o que restou
da nossa Mata Atlântica está na Serra do Mar, é onde
existe uma das maiores biodiversidades do mundo e você só
conhecerá a fundo se for conhecer e frequentar o ambiente das montanhas.
Isso não acontece no Brasil mas acontece nos Andes, no Himalaia,
até mesmo nos Alpes, o homem vive adaptado nesse mundo já
há milhares de anos, como os Incas que viviam nos Andes, como o
caso dos Xerpas que vivem na região Everest, como o homem que vive
criando sua vaquinha nos Alpes Suíços, Franceses, Italianos,
criando sua vinha e fazendo o seu vinho. Esses homens tanto o Alpino,
quanto o Andino e o Himalaio tem características muito semelhantes
com relação a sua arquitetura, agricultura, pecuária,
então você vê que o homem se adapta perfeitamente ao
seu meio.
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Quando você faz uma expedição como é a sua
relação com esses Povos, essas Raças do entorno da
montanha?
Waldemar Niclevicz
O que eu tento fazer é ser um pouco desse homem, desse montanhês,
desse homem do Himalaia, ser um pouco desse homem Alpino. Embora eu tente
ser um pouquinho de tudo, acho que meu coração é
mesmo Andino, porque foi onde eu comecei a escalar montanhas grandes,
onde eu me apaixonei realmente pelas montanhas, pela cultura pré-colombiana,
principalmente pela cultura inca, a qual eu me considero um estudioso.
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Como é o Waldemar Niclevicz hoje?
Waldemar Niclevicz
Não sou somente um alpinista, tenho uma grande visão antropológica,
uma visão sociológica, me considero uma espécie de
arqueólogo, um explorador, um naturalista, tento ser um pouquinho
do que foi Darwin. Tenho uma sede de conhecimento, sou impressionado com
o homem e a natureza, adoro a natureza, mas a natureza onde o homem consegue
viver em harmonia e integrado a ela, para mim essa é a natureza
por excelência. Tenho certeza que esse foi o ambiente que Deus sonhou
para nós, então hoje difícilmente o homem consegue
essa harmonia, ou ele vai lá e destrói, ou a natureza fica
em alguns lugares, poucos ainda no mundo, como as regiões polares
e as montanhas em vários lugares do mundo.
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Niclevicz você se considera um ser humano comum ou diferente?
Waldemar Niclevicz
Eu me considero um ser humano comum como qualquer outra pessoa, eu sempre
falo isso para as pessoas, sou uma pessoa como qualquer outra, só
que tenho os meus sonhos, os meus desejos, minhas aspirações
e talvez uma das diferenças com relação a algumas
pessoas, não todas, é que eu corro atrás dos meus
sonhos. Quando coloco um objetivo na cabeça vou atrás dessa
aspiração até realizar, por isso não me considero
um privilegiado, uma pessoa diferente, eu acredito que todas as pessoas
podem ter essa iniciativa, podem romper as suas barreiras, podem romper
seus limites em busca da realização dos seus sonhos, do
seu sucesso profissional, em busca de satisfazer esse desejo interior
que ele tem em qualquer sentido.
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Fale como você representa a sua Pátria, durante as expedições?
Waldemar Niclevicz
Eu faço isso em termos de natureza, em termos de esporte, de cidadania,
porque um dos maiores orgulhos que eu tenho é de representar o
Brasil lá fora, já que estou tendo esse privilégio.
Nós não temos a tradição alpina no Brasil,
o alpinismo não é algo popular no Brasil, então tenho
o privilégio de ter sido o primeiro, apenas por esse fator, se
não fosse o primeiro seria o segundo, o terceiro ou décimo.
Sinto um orgulho enorme de levar a Bandeira do Brasil lá fora,
de ser reconhecido, às vezes me confundem com alpinista italiano,
inglês, falo que sou brasileiro e me dizem: "como se nem tem
montanha lá ?" É nessas horas que sinto o prazer de
ser brasileiro, ser admirado como brasileiro e o prazer de sentir que
nós temos aqui no Brasil esse potencial, não só em
termos de atletas, nós temos um potencial empreendedor, econômico
imenso, o que temos que fazer é desenvolver esse potencial, acreditar
nele e conquistar as nossas montanhas, sejam elas de rocha, de gelo, físicas,
sejam elas do mundo dos negócios, de grandes sonhos que temos em
nosso íntimo.
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Niclevicz você é um homem de fé, é persistente,
as suas investidas de subir nessa ou naquela montanha medindo grau de
dificuldades, estudando as possibilidades de circunstanciar a subida sempre
terminam em êxito?
Waldemar Niclevicz
Nem sempre obtive êxito em minhas investidas, tive muitas frustrações
em meus projetos, mas nem por isso abandonei a idéia de levar esse
projeto até o fim. O Everest, a maior montanha do mundo, eu fui
em 1991 para lá, fiquei a 300 metros do ponto mais alto, não
consegui chegar lá em cima e realizar o meu grande sonho que era
levar a bandeira do Brasil pela primeira vez na história, no alto
da maior montanha do mundo. Eu tive que fazer uma segunda investida em
1995, só depois de 3 anos e meio que consegui recursos financeiros,
que é sempre um obstáculo que a gente enfrenta hoje, o atleta
e o empreendedor enfrentam esse problema, quase todo mundo tem um problema
de dinheiro hoje para poder viabilizar os seus projetos, isso é
um obstáculo, um desafio que tem que ser superado e esse exemplo
do Everest é muito claro onde você é obrigado a desistir
às vezes pelas circunstâncias, pelas dificuldades e não
pela sua falta de capacidade, mas como vale a pena ser perseverante, seguir
em busca desse sonho e fazer tudo para que ele venha a se realizar. O
K2 é outro exemplo, fui até lá em 1998, o K2 é
considerada a montanha mais difícil do mundo, é a "Montanha
da Morte", "Montanha Selvagem", "Montanha Assassina",
ou seja, são apelidos nada animadores do K2. Lá em 1998
cheguei a 8 mil metros, fomos levados por uma avalanche, quase morre todo
mundo. Voltamos em 1999 e perdemos um colega que foi atingido por uma
pedra, morreu uma pessoa e voltamos arrasados. Fiz uma terceira tentativa
em 2000, e só nessa tentativa consegui chegar lá em cima.
Então que isso sirva de experiência para as pessoas não
imaginarem que quem faz sucesso hoje, sempre foi vitorioso, embora muitas
pessoas achem que eu faço sucesso hoje. Nós não somos
meramente privilegiados e abençoados por Deus, acredito sim que
sou abençoado por Deus, graças a inúmeras situações
que passei na minha vida e felizmente estou aqui hoje. Acredito que é
graças a fé que tenho em Deus e em mim mesmo e nos meus
projetos, esse comprometimento, que me levou a ter sucesso nos minhas
empreitadas nas montanhas.
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Você se considera um Super Atleta, ou um Conquistador que vive buscando
o êxito ?
Waldemar Niclevicz
Talvez muitas pessoas achem que hoje eu só tenho êxito, que
tudo que faço dá certo, muitas coisas que faço dão
errado, por inúmeras circunstâncias, mas de uma forma ou
de outra tentamos superar tudo isso para que nós possamos chegar
naquele ápice, naquele êxtase, naquele sucesso que todos
nós queremos chegar.
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Como é ser um Alpinista, o investimento é alto?
Waldemar Niclevicz
Realmente fico preocupado quando as pessoas acham que sou um privilegiado,
como acontece com muitos atletas, o que não é culpa deles,
só porque nascem num berço de ouro e a família tem
condições de investir na carrreira profissional desse atleta
e ele consegue ter uma boa performance, uma boa projeção
nacional e internacional. Eu vim de um berço muito simples, de
uma família muito humilde, alguns acham que vim de berço
de ouro porque todos falam que alpinismo é muito caro. Para escalar
o Everest é preciso de 200 a 300 mil dólares, aí
muitos dizem o Niclevicz tem pai rico. Não tive pai rico, tive
que batalhar como todo mundo, nada vem de mão beijada hoje em dia
e vale a pena batalhar, quando nós conquistamos realmente algo
com esforço é que valorizamos mais essa conquista, isso
gera um sentimento que chamo de amor, eu amo cada uma das minhas conquistas,
das minhas montanhas, isso é o que me faz feliz hoje, que me faz
sentir que tudo tem um valor e um sentido maior, quando nos doamos inteiramente.
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Quantas expedições você já realizou e quais
foram as mais dificeis ?
Waldemar Niclevicz
Eu não esqueci de nenhuma delas, mas eu nunca contei, não
tenho idéia de quantas escalei, às vezes as pessoas vem
com a lista das principais montanhas, porque está em meu site www.niclevicz.com.br
e querem saber quantas são realmente, mas não sei. Todas
as minhas experiências tem um significado importante, mesmo a mais
simples, desde a minha primeira viagem que fiz para fora do Brasil em
1985, com apenas 100 dólares no bolso, viajei 44 dias pela Bolívia
e o Peru, até minha última viagem em que fiquei 3 meses
no Nepal, no ano passado, que foi o Ano Internacional das Montanhas, pouca
gente ficou sabendo aqui no Brasil que fizemos uma nova investida no Everest
e acabamos escalando Lhotse que é a quarta maior montanha do mundo.
Então eu tenho inúmeras lembranças de situações
difíceis, situações que envolveram acidentes, mortes
de colegas e também situações extremamente agradáveis,
lembranças de momentos dos mais felizes da minha vida, amizades
que em nenhum outro lugar consegui encontrar, momentos de puro êxtase,
de pura felicidade, um encontro imenso comigo mesmo, uma introspecção
que nenhum homem vai conseguir de outra forma, um contato íntimo
com Deus que acho que nenhum outro homem vai ter esse confronto com Deus
como eu tenho na montanha, porque essa é a minha crença,
esse é o meu ambiente, você pode conseguir tudo isso no seu
ambiente, no seu mundo, esse é o meu mundo, é a minha forma
de ver a vida, os meus amigos, isso é muito interessante.
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Para você concretizar sonhos e quebrar tabus, é o mesmo que
vencer desafios?
Waldemar Niclevicz
Eu acredito que se as pessoas começarem a encarar a vida como uma
grande escalada, como uma grande montanha, essas pessoas vão poder
me entender, nosso sonho está lá no topo, é o ápice,
é onde nós temos que chegar, mas para chegarmos lá
temos avalanches, obstáculos, dificuldades, tempestades e muito
frio. Se você passar por todos esses sofrimentos, todos esses esforços,
você vai sentir um prazer de uma dimensão muito maior, do
que esses sofrimentos, por isso é que vale a pena. A salvação
vem através de certos sofrimentos, como dizia Buda e eu acredito
nisso.
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Fale de suas principais expedições, da maior aflição
e emoção que você viveu?
Waldemar Niclevicz
Como eu estava dizendo, em cada expedição houveram bons
e maus momentos, eu valorizo cada um deles. Mesmo nas minhas escaladas
de final de semana no Pico Marumbi, por várias vezes eu ainda me
emociono com as minhas montanhas, eu falo minhas porque são as
montanhas verdes aqui no Brasil, porque lá fora no Himalaia, Alpes
é rocha e gelo, é um ambiente também muito bonito
mas que depois de 2 meses é muito desolador, muito frio. Eu tenho
inúmeras lembranças, das montanhas que marcaram a minha
vida: o Everest e o K2, duas montanhas ímpares, a primeira e a
segunda maior montanha do mundo, pela sua grandeza, pela sua altitude.
O Everest tem 8.848 metros e o K2 tem 8.611 metros de altitude. O Everest
pelo seu fascínio, o seu magnetismo mundial, a maior montanha do
mundo, pelo seu entorno, pela religiosidade do seu entorno. Há
uma espiritualidade muito grande no Everest, no caminho para lá
você passa por mosteiros, encontra os monges. A própria mitologia
do Himalaia que é a Morada dos Deuses, como eu tenho uma espiritualidade
muito grande tenho muita fé em Deus, tudo isso tem um significado
muito grande, para outras pessoas pode não significar nada. O K2
é justamente o contrário, não tem nada disso, você
vai pelo Paquistão, na fronteira com a China, o Paquistão
é um país islâmico, é uma religião,
uma cultura totalmente diferente da nossa, embora a gente não consiga
entender, eles tem uma fé muito grande, imensa em Alá, eu
admiro essa fé e cultura, admiro todo o tipo de crença,
só que eles não cultuam a montanha como um Deus ou como
a morada dos Deuses. Para o povo Andinos as montanhas são Deuses,
no Himalaia as montanhas são o refúgio dos Deuses, é
diferente. No Karakorum que é uma parte do Himalaia, ao norte do
Paquistão com a China, as montanhas não são nada,
são só elevações, é um lugar hostil
e sem vida, onde o povo não mora, como eles não moram na
montanha como ela é muito seca, muito árida, eles talvez
não reverenciem, na Europa ela é reverenciada, em outros
lugares também. Fica difícil com tantas experiências
falar de uma experiência, são 15 anos dedicados integralmente
a montanha, fica difícil falar de uma. A chegada no Everest foi
um grande momento emocionante da minha vida, nunca chorei tanto. A primeira
chegada no alto de uma grande montanha, em 1988 no Aconcágua, foi
o início da minha carreira, foi um dos momentos mais marcantes
da minha vida em que eu mais me emocionei, quase em todas as escaladas
de grandes montanhas eu me emociono, não consigo controlar minha
emoção, tento controlar meu choro e não consigo,
porque aquilo tem um valor imenso para mim, para meus amigos, tenho uma
gratidão imensa a Deus e a meus amigos.
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Quem está envolvido no preparo e desenvolvimento do Projeto de
suas Expedições?
Waldemar Niclevicz
É muita gente hoje envolvida em meus projetos, quer seja participando
diretamente ou não, meu treinador, meu médico, meu fisiologista,
os patrocinadores, a mídia patrocinando meu trabalho, ou ajudando
indiretamente, o padre, o pastor, meu amigo, o pessoal do bairro fazendo
novena, é minha Mãe, os amigos da academia, os amigos do
paraquedismo, tem toda uma sinergia, todo um magnetismo e eu acredito
nisso, eu sinto a presença dessas pessoas junto comigo, eu sinto
que não estou ali sozinho, embora fisicamente esteja, que estou
ali representando o nosso país, tenho orgulho de ser um atleta
brasileiro.
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NetBabillons
Você iniciou o atletismo com que idade?
Waldemar Niclevicz
Comecei fazer atletismo desde os 14 anos, me considero e treino como um
atleta, sou disciplinado como um atleta precisa ser, para alcançar
bons rendimentos.
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NetBabillons
Niclevicz, se superar, sofrer intempéries, vivenciar grandes emoções,
vale a pena?
Waldemar Niclevicz
É um pouco de tudo isso que me faz emocionar, que me faz sentir
muitas vezes privilegiado, com bolha no pé, com o nariz sangrando,
rosto queimado, num fim de mundo olhando uma paisagem maravilhosa, que
às vezes nenhum ser humano teve o privilégio de vislumbrar:
aquele pôr do sol, entardecer, aquele amanhecer, privilégio
que esse ser humano não teve e nunca vai ter se realmente não
passar por essa provação, se não fizer calos no pé,
se realmente não passar semanas comendo pouco, no K2 eu emagreci
12 Kg, já sou magro, imagina emagrecendo 12 Kg; então, vale
muito a pena.
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NetBabillons
Você vai lançar com detalhes suas histórias num terceiro
livro?
Waldemar Niclevicz
No livro que vou lançar ainda este ano, mostra uma foto minha no
auge do treinamento, digamos forte, faço todo um trabalho de resistência
aeróbica, de resistência muscular e mostra o Waldemar depois,
magro, pele e osso, mas imensamente feliz. Durante a conquista, quando
cheguei lá em cima e durante muito tempo ainda, depois que cheguei
no Brasil, eu estava em estado de êxtase, estava naquele sentimento
de plenitude, ainda hoje quando vejo minhas imagens emocionado. Lançamos
agora no Festival de Cinema de Curitiba o filme do K2, depois de 3 anos
consegui parir esse filme, esse vídeo, uma coisa que foi muito
forte para mim, às vezes as pessoas não conseguem entender
esse sentimento, as pessoas muitas vezes comprovam o feito, simplesmente
o Waldemar foi e subiu, mas por traz do feito tem um sentimento profundo
que quem assistir o filme ou ler o livro vai sentir esse sentimento.
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NetBabillons
Dessas suas Jornadas e Expedições, em algum momento você
voltou para casa com parte do corpo lesado, pontas dos dedos ou outro
lugar?
Waldemar Niclevicz
Graças a Deus nunca quebrei nada, mas tenho escoriações,
ferimentos, principalmente nas articulações, é quando
você cai e bate. Isso é comum para nós, ter um ferimento,
um corte, geralmente você está esfolado, escalando normalmente
nos ferimos, não é comum acidente grave, ter ferimentos
graves, pontos, fraturas. Um outro problema sério é o frio,
e o risco de congelamento, eu pela minha constituição cardiovascular,
não tenho propensão a congelamentos, eu tenho uma excelente
irrigação periférica, isso é meio genético,
isso é também em razão do meu condicionamento físico.
Tenho acompanhamento de um super fisiologista que é o Raul Osiesck,
ele é um pai para mim, eu vejo isso no meu organismo não
só por sentir, mas através de instrumentos, como funciona
meu organismo hoje. Mas, mesmo assim no K2 eu tive princípio de
congelamento em dois dedos da mão. Congelamento em pessoas que
não tem um bom sistema cardiovascular é meio comum; tenho
colegas que não tem dedos das mãos, dos pés, faltando
ponta de orelha, ponta de nariz como um amigo japonês que também
não tem, aliás tenho vários colegas, mas eu graças
a Deus e com a minha resistência só tive problemas nas pontas
de dois dedos no K2, foi um princípio de congelamento e não
aconteceu nada mais grave, nesse mesmo momento no K2, nessa mesma escalada
acabei passando uma noite à 8.400 metros, com 30 graus negativos,
sem barraca e o meu colega que continuou descendo até a barraca,
acabou tendo que amputar cinco dedos. Então veja a diferença
de constituição física do organismo, ele que conseguiu
chegar num refúgio antes, que era nosso acampamento, precisou amputar
5 dedos, eu que acabei me expondo ao frio extremo só tive princípio
de congelamento dos dedos. Mas é lógico que se eu pegasse
uma tempestade, se o tempo mudasse, começasse a ventar e entrasse
nuvens, até eu que tenho ótima resistência perderia
os meus dedos, porque quanto mais você fica exposto ao frio vai
perdendo temperatura, entra aí a parte fisiológica que eu
acho fantástica, como nosso organismo aumenta a capacidade de absorver
oxigênio, como é que nosso organismo evita de enviar sangue
para as extremidades porque ele sabe que vai perder calor, uma das principais
funções do sangue é aquecer nosso organismo, então
o Alpinista precisa saber de tudo isso para poder preservar a sua própria
vida.

Niclevicz é
um ser humano descomplicado, de boa vontade, de bem com a vida, bem intencionado,
vive e ama o que faz. Uma das coisas que mais se orgulha é erguer
a bandeira do Brasil em suas expedições.
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NetBabillons
Como foi a aceitação da família, que vê o seu
filho partir para uma expedição difícil?
Waldemar Niclevicz
No início foi muito difícil, eu tive independência muito
cedo. Por um lado meu pai esperava o melhor de mim, mas foi um super azar
para meu pai, em razão de estímulos dele acabei indo para
a Academia Militar das Agulhas Negras, com 14 anos em Campinas sai de casa.
Depois de 3 anos em Campinas em regime de internato, imagine uma criança
de 14 anos longe dos pais, eu sofri muito. Fui para Resende para a AMAM,
fiquei 3 anos lá, só que antes da formatura pedi desligamento,
aí começei a ter a minha vida, porque passei a não
ser aceito pela minha família, principalmente pelo meu pai, que sonhava
ter um filho militar. Tive que começar uma vida sozinho e estava
disposto a isso, porque eu não queria ser militar, adorava escalar
montanhas, mas ainda não tinha a visão de ser um Alpinista
Profissional. Então me formei em turismo, porque pensei em trabalhar
com turismo de aventura, turismo ecológico. Me formei em Turismo,
batalhei uma bolsa na Universitá Commerciale Luigi Bocconi, na Itália,
consegui uma passagem de graça e fui fazer um curso de Pós-Graduação
em Economia e Turismo. A Bocconi é considerada a melhor faculdade
de Economia da Europa, foi um super aprendizado para mim. Nessas viagens
comecei a ter contato com Alpinistas de renome internacional e aí
acabei tendo o privilégio de participar de expedições
com eles para o Himalaia e tendo alguns feitos consideráveis em minha
carreira graças aos meus amigos, sou muito grato a todas as oportunidades
que eles me proporcionaram.
Portal
NetBabillons
Hoje eles o apoiam?
Waldemar Niclevicz
Sim. Hoje a minha família que me recriminava antes, agora apoia,
me acham o máximo, principalmente o meu pai que praticamente me chutou
de casa. Entendo perfeitamente o meu pai, que é de formação
militar, ele que foi soldado, cabo, sargento, sub-tenente, capitão,
então imagine o quanto foi importante o exército para ele,
mas hoje nós temos outras possibilidades, há 50 anos atrás
talvez a melhor oportunidade que se poderia ter era ser militar. Hoje minha
mãe continua morrendo de medo, continua rezando, meus irmãos
também, mas hoje principalmente minha família e meus amigos
entendem que o que eu faço é com muito planejamento, com muito
cuidado, muita responsabilidade, muita seriedade, não é uma
simples aventura, não é um louco escalando uma montanha, é
um Alpinista experiente, prudente, sei o que estou fazendo e porque estou
fazendo, não estou fazendo isso para ficar famoso, para ganhar dinheiro,
ou aparecer no jornal, faço isso porque gosto, tenho um amor imenso
pelo que eu faço. Sei a hora de voltar, inúmeras vezes tive
que retornar, sei que a montanha continua lá, vou poder fazer inúmeras
outras investidas, quantas eu quiser, não vale a pena arriscar, não
tem montanha que mereça a ponta de um dedo, a vida. Faço tudo
com muita segurança, sinto-me mais seguro escalando uma montanha
do que muita gente que anda na rua de carro, acho o carro extremamente perigoso.
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NetBabillons
Niclevicz qual é a sua próxima Expedição, qual
é o grau de perigo que você vai enfrentar?
Waldemar Niclevicz
O perigo existe, não que eu ignore, mas eu trato muito bem com ele,
sei muito bem gerenciar esses riscos.Tenho um novo projeto, as pessoas imaginariam
agora uma escalada impossível no Himalaia, para quem já escalou
a maior montanha do mundo, a montanha mais difícil, o maior paredão
vertical do mundo que é a Trango Tower. Os Sete Cumes do Mundo que
são as maiores montanhas de cada continente, seis das maiores montanhas
do mundo eu já estive, só existem 14 maiores com mais de 8
mil metros, eu, um dia, gostaria de cumprir as 14, só 10 homens escalaram
as 14. Mas resolvi desengavetar um projeto antigo que já está
no papel há 12 anos, o Mundo Andino, é um projeto voltando
para a Cordilheira dos Andes, nunca deixei de ir para lá desde 1995,
todos os anos vou para algum lugar dos Andes, tenho uma paixão imensa.
Agora vou realizar esse meu projeto de vida que é o Mundo Andino,
é em 3 anos, de 2004 a 2006, escalar mais de 100 montanhas percorrendo
desde o Caribe até a Terra do Fogo com um caminhão 4x4 extremamente
equipado, percorrendo a Venezuela, Colombia, Equador, Perú, Bolívia,
Argentina e Chile com uma equipe multidisciplinar escalando mais de 100
montanhas e fazendo o Estudo do Entorno dessas Montanhas, tanto o lado físico,
quanto o lado humano. É um projeto que envolve muita pesquisa, principalmente
aquelas do meio ambiente, para isso vamos ter Biólogos, Zoólogos,
Geólogos, gente das mais diversas áreas, vamos ter diversas
ações sociais também, médicos presentes. Como
funciona: vamos estar escalando montanhas na Bolívia, quando eu e
minha equipe estivermos subindo na Montanha, o Caminhão Andino não
vai ficar parado, ele vai ficar circulando no entorno dessa montanha, visitando
vilas, o médico prestando sua ação de auxílio
a essa população, nós vamos estar identificando as
necessidades da população, vamos estar viabilizando equipamentos
para essa população depois, caso seja necessário um
tipo de equipamento médico hospitalar vamos estar contatando com
empresas aqui no Brasil, estimulando a doação desse equipamento
e entregando para a população local. Do mesmo modo um Geólogo,
Nutricionista ou Biólogo brasileiro, uma pessoa que queira estudar
o Condor nos Andes, colocar em contato com uma pessoa que entenda de Condor
no Equador para que esse pesquisador brasileiro possa fazer uma pesquisa
em campo e possa trazer para o Brasil a importância do Condor para
aquele ecossistema. Da mesma forma trazer um Arqueólogo Peruano para
fazer uma Conferência em uma Universidade aqui no Brasil, da importância
da Civilização Inca, não só para o Mundo Andino,
não só para a Cordilheira dos Andes, mas também para
a América do Sul, a importância que isso pode ter tido para
o Brasil. É uma expedição multifunção,
é o meu sonho; eu me considero um explorador no melhor sentido, um
naturalista, ou seja, tentando fazer o que os exploradores fizeram a 100
ou 200 anos atrás, entrentando todas aquelas dificuldades, mas utilizando
da tecnologia a meu favor, para beneficiar o maior número de pessoas.
É um sonho que eu não consegui viabilizar num primeiro momento,
porque não tinha credibilidade, mas graças a Deus hoje eu
já tenho, não digo no mercado de patrocínio, no mercado
esportivo, mas em termos gerais, para que pessoas creditem nisso, de sensibilizar
o Governo Brasileiro, de sensibilizar a Prefeitura de nossa cidade, o Governo
de nosso Estado a ajudarem a apoiar esse projeto de mandar um pesquisador
de uma Universidade daqui para fazer um doutorado ou mestrado conosco para
que nós possamos gerar um conteúdo, para que seja divulgado
esse conteúdo e todo mundo receba esse beneficio.
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NetBabillons
Existem Patrocinadores para este Projeto: o Governo Federal, os Estados
ou de sua cidade, como é a participação?
Waldemar Niclevicz
Hoje tive o prazer de falar com o Governador de Santa Catarina, volta e
meia falo com o Governador do Paraná. Tive alguns encontros com o
Presidente Fernando Henrique Cardoso, estou na expectativa de ter um encontro
com o Presidente Lula e alguns Ministros. Todos esses políticos,
falam das dificuldades que o país enfrenta e eu entendo, agora essas
pessoas tem um poder político imenso e quando elas querem conseguem
sensibilizar a iniciativa privada para que eles patrocinem os nossos projetos,
é isso que eu cobro sempre dos nossos governantes, que eles façam
essa parte, não custa nada para o Governador ou Ministro, Vereador,
Deputado, Prefeitos, chamarem a atenção das empresas para
abrirem portas, eu já tive experiências. O que mais encontro
de dificuldade hoje é chegar nas pessoas que tem poder de decisão
dentro da empresa, quando eu consigo esse contato o patrocínio é
conseguido até com uma certa facilidade, porque os valores são
muito modestos, eu não falo em valores de milhões de reais,
falo em 40 mil, 100 mil reais que às vezes é uma cota anual
de um projeto meu. São projetos bem pés no chão, não
viso lucros com meus projetos, hoje o que me dá dinheiro é
fazer palestras para empresas, então essa é minha receita,
vamos dizer assim. O que consigo com os patrocínios é para
manter o projeto, manter a equipe que está trabalhando que abre mão
de 3, 4 meses do ano de seu trabalho para fazer uma pesquisa, para levar
a bandeira do Brasil lá em cima.
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NetBabillons
Você sempre procura sensibilizar as áreas governamentais, políticos
para subsidiar econômicamente os seus Projetos?
Waldemar Niclevicz
Isso é o mínimo que nós precisamos fazer, eu faço
sempre esse apelo, que os políticos recebam os atletas e usem de
sua influência não só em busca do seu voto, mas para
gerar esse benefício para a sociedade, porque quando um Atleta leva
a Bandeira do Brasil, do seu Time de Futebol, da sua Cidade, do seu Estado,
para qualquer lugar do Mundo, isso cria motivação na criança,
no estudante, no universitário, no nosso jovem, no nosso adolescente,
que são as pessoas que precisamos investir porque são o nosso
futuro, eles se sensibilizam de uma maneira incrível. Quando vou
em uma Universidade ou Escola, não só para gente grande, mas
também para gente pequena, gosto de conversar com crianças,
é muito gratificante, eles vibram, eles sabem, eles reconhecem, é
um papel importante de cidadania que nós estamos desempenhando e
nós merecemos, não só eu, o Waldemar Alpinista, mas
outros atletas brilhantes que temos. Precisamos pensar um pouco menos em
Futebol e dar oportunidade a outros Atletas para viabilizarem seus Projetos,
qualquer que seja o tipo de Esporte, principalmente aqueles menos populares.
Nós temos um potencial imenso em nosso país, o brasileiro
tem muita garra, muita raça e ele precisa desenvolver a sua técnica,
precisa ter condições materiais para isso, ele precisa ter
dinheiro para comer e se especializar.
Portal
NetBabillons
Niclevicz já passou dificuldades, como por exemplo fome, em pleno
tempo de treinamento?
Waldemar Niclevicz
Eu já passei por isso há 15 anos atrás, eu não
conseguia ter uma boa dieta alimentar. É horrível para um
atleta, tinha tonturas, a nutricionista falava: "compre isso!"
e eu não tinha dinheiro para comprar o que eu precisava para repor
as minhas calorias, aí tinha fadiga e desmaiava. É um absurdo
ver uma maratonista do Brasil correndo descalça porque não
tem dinheiro para comprar um tênis. Infelizmente enfrentamos isso!
Temos que nos preocupar com o meio ambiente, com a fome, com a segurança
que é outro absurdo no Brasil, temos que não tirar dinheiro
do Governo, porque o dinheiro tem que ser destinado para a educação,
para a saúde e segurança, o dinheiro do nosso imposto. Temos
que conseguir recursos econômicos dos empresários, isso tem
um retorno de mídia imenso, impagável. Um anúncio em
uma página de revista semanal está custando R$ 100.000,00,
isso é o que pedimos para uma cota anual de patrocínio do
nosso Projeto Mundo Andino. O empresário pode falar: "mas eu
nem sei quem é o Waldemar", então o político pode
nos ajudar, dizer o que já fiz, conquistei e me aproximar desse empresário,
no encontro após explanar o projeto, ele vai falar: "Waldemar,
de quanto é o valor para te ajudar a realizar a expedição".
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Como é o condicionamento do Niclevicz, qual é a sua dieta?
Waldemar Niclevicz
Procuro ter uma alimentação o mais saudável possível,
eu não bebo, não fumo, sou uma pessoa que usa nenhum tipo
de droga, respeito muito o meu organismo, sei que minha performance está
ligada a minha saúde física e ao meu condicionamento físico,
tenho uma vida infelizmente, às vezes, estressada como todo mundo
que tenta viabilizar seus projetos, mas tenho uma alimentação
extremamente balanceada. No início eu não tinha, passei por
algumas experiências, hoje tenho uma super nutricionista que é
a Lili Purin, Nutricionista do Atlético Paranaense, que é
um clube que sempre me apoiou também, o meu fisiologista, o Raul
Osieck, essas pessoas ajudam a regrar a minha vida. O meu treinador, por
exemplo, Júlio Arachesky estamos juntos há 5 anos, ele é
disciplina, hoje ele é um grande amigo, é uma pessoa com quem
me abro, não é só treinador, é uma espécie
de psicólogo. Então você consegue regrar a sua vida
e fazer com que tenha um resultado melhor em razão desse trabalho,
que tem que ser feito com muita disciplina. Pela minha própria formação
nunca você vai me ver comendo uma picanha com gordura, eu sempre vou
tirar, nunca vou comer um cupim ou uma costela gordurosa, porque que sei
que faz mal para mim, isso não faz mal para quem tem uma vida normal,
para um atleta faz. Eu nunca vou beber um copo de cerveja porque sei que
meu desempenho vai cair, é uma questão de opção,
tem atleta que toma cerveja, que fuma, tudo bem, é a opção
dele, só que ele vai ter um rendimento que não vai ser o melhor
que ele poderia dar, porque se ele não tivesse esses simples vícios,
teria um melhor rendimento. Tem pessoas que falam "o Waldemar é
radical!", não é que eu seja radical, mas eu percebo
quando não durmo direito, quando fico uma semana sem treinar minha
performance diminui. Uma vez por mês eu faço um teste de avaliação
física, de VO2, entro numa esteira e meço a quantidade de
oxigênio que inspiro e expiro. Se por uma semana eu paro de treinar
a minha capacidade de absorver oxigênio diminui, a resistência
muscular também, não é o que eu acho, é baseado
em testes, em resultados, instrumentos, isso é muito interessante.
Paras as pessoas que são amadores, que fazem o seu esporte nos fins
de semana, não precisa ser dessa forma, agora se você quer
escalar o K2, como eu fiz, sem oxigênio artificial, se quiser escalar
100 montanhas em 3 anos ou 10 montanhas em 20 dias como vamos fazer no Mundo
Andino, é preciso ter essa performance, eu preciso ter esse resultado,
essa resistência aeróbica e muscular, senão não
vou conseguir atingir essas marcas. Muitos vão dizer que sou ambicioso
e posso dizer que sim, gosto de ultrapassar os meus limites, de provar minha
capacidade técnica, minhas capacidades físicas e psicológicas,
me colocar a prova de um grande desafio e ter o prazer de superar esse desafio.
Uma pessoa pode ter uma vida normal, muito cômoda e ser feliz, pode
ser um grande empresário fazer muito sucesso com sua empresa, seu
produto e ser mais feliz ainda.
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Waldemar palestrante, que temas que mais gosta de desenvolver?
Waldemar Niclevicz
Desde que voltei do Everest em 1995 comecei a ser convidado por empresas
para dar palestras, primeiro para faculdades, após empresários
e executivos. À princípio diziam que era para contar como
eu tinha conseguido chegar no alto do Everest. Comecei a contar essa história,
as pessoas gostaram de me ouvir e hoje já fiz praticamente 200 palestras,
para mais de 100 grandes empresas, para públicos os mais variados
possíveis, geralmente para executivos. Já fiz para operários
da Vale do Rio Doce, já fiz para presidentes de empresas e sempre
cada uma das palestras foram muito gratificantes, acredito que não
fui só para ensinar, mas foi uma grande troca de conhecimentos e
acima de tudo o que deixo é minha experiência de vida, é
uma palestra motivacional, embora às vezes se torne um pouco técnica.
Quando as pessoas querem, eu falo sobre planejamento estratégico,
gerenciamento de riscos, expedir equipes, tomadas de decisão, lideranças
e me aprofundo mais. Também falo sobre semana de prevenção
de acidentes, gerenciamento de risco, dos cuidados que tem que ter. Em outras
palestras eu abordo esses temas de uma maneira muito genérica e mostro
como escalei o meu Everest, a palestra é "Conquistando o seu
Everest", como escalei "o meu Everest" e como as pessoas
podem escalar "o seu Everest". Cada um tem um Everest dentro de
si, dentro do seu negócio, dentro da sua atividade e é esse
mesmo Everest que escalei quando cheguei na maior montanha do mundo, não
foram os 8.848 metros de altitude, foi o Everest que existe em mim, foi
o Everest dentro do meu próprio ser. Então é uma palestra
motivacional, é uma palestra que sensibiliza as pessoas, eu me emociono
fazendo palestras, as pessoas se emocionam, falo levem um lencinho porque
tem gente que chora, porque eu pego na emoção, porque não
admito que a pessoa tenha um sonho e não tenha coragem de realizar
esse sonho. Minha missão é fazer com que essa pessoa tenha
coragem, que ela tome atitudes, que ela faça da vida dela uma vida
melhor, que faça do mundo um mundo melhor, porque "ele"
mudou, teve coragem de sair do fundo dos vales e encarar as dificuldades,
encarar as tempestades, avalanches, obstáculos e chegar no alto da
sua grande montanha. Adoro fazer palestras, me empolgo muito com elas e
graças a Deus minhas palestras acabam sendo hoje uma soma considerável
de dinheiro, para que eu possa realizar os meus projetos.
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Os jovens Universitários são o futuro do Brasil, que conselho
você dá a esses jovens?
Waldemar Niclevicz
É o que disse anteriormente, que tomem atitudes, que tracem objetivos
em suas vidas, que acreditem em nosso Brasil, que acreditem em sua capacidade,
em seu potencial, que procurem desenvolver suas habilidades, que sejam ambiciosos
em suas áreas de atividade, que se dediquem ao máximo dentro
de suas universidades. Achei um absurdo quando sai da Academia Militar,
que é um lugar onde todo mundo é obrigado a ser CDF, lá
você estuda muito, de lá sai para uma Universidade Federal
onde ninguém estudava, a maioria colava, eu achava isso um absurdo!
Logo que entrei fui participar do Centro Acadêmico e também
parte do diretório do DCE e era um dos que mais lutava para chamar
as pessoas para estudarem, porque depois eles teriam um canudo na mão
e iriam falar que a Universidade não os preparou. Não houve
um congresso ou seminário durante a universidade que eu não
participei, fui em todos eles. Publiquei dois artigos enquanto estava na
Universidade porque fui me especializando em planificação
turística. Não adianta hoje você ficar lá na
Universidade sentado em uma sala de aula esperando o curso acabar para conseguir
um emprego, não vai conseguir assim. Hoje, da nossa turma, os alunos
mais dedicados, o primeiro da classe que era o CDF, sempre tirava as melhores
notas, eu era o segundo; o terceiro, o quarto, os alunos mais dedicados,
todos hoje estão bem empregados e fazendo um bom papel na área
de turismo ou nosso estado ou na Secretaria de Turismo de Curitiba, eu me
orgulho disso, tem um que está em Brasília trabalhando no
Governo Federal com turismo ajudando a desenvolver o nosso país.
Então acreditem nisso, façam a sua parte, isso é importante
para que realmente vocês sejam pessoas de sucesso, para que não
sejam mais um desempregado, que é uma pena... Quando falo com essas
pessoas por ai, me dá pena mesmo, porque elas não tem capacitação,
tem graduação superior, mas não sabem fazer nada, não
tem nenhuma qualificação embora tenham curso superior. Especializem-se,
aproveitem esse momento da faculdade, dêem o melhor de si, sugem os
professores, exijam o máximo de seus cursos, façam estágio,
partam para mercado de trabalho antes de terminar a faculdade, para ter
uma idéia do perfil do mercado que vocês vão enfrentar,
para depois terem idéia do que vai ser enfrentado, para vocês
serem pessoas de sucesso como devem ser.
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Como o dinamismo da Internet tem lhe ajudado em sua Expedições?
Waldemar Niclevicz
Não só dinâmica, eu diria indispensável. Quando
lancei a primeira versão do meu site em 1998, percebi ao publicar
o incremento imenso em termos de negócios, contatos, consegui atingir
um número imenso de pessoas, consegui ser muito mais conhecido fora
do Brasil, porque minhas expedições são todas transmitidas
on line via satélite, na Internet. Principalmente nos Estados Unidos
e na Europa, passei a ser muito conhecido através da Internet; depois
a Internet alavancou matérias em revistas especializadas, matérias
em jornais fora do Brasil, que também consolidaram uma imagem lá
fora. Hoje qualquer pessoa consegue me encontrar na Internet, antigamente
como poderiam fazer para me encontrar? era bem mais difícil para
conseguir meu telefone ou email, hoje você digita Niclevicz em um
buscador qualquer e vai ter várias indicações e com
certeza a do meu site também. Hoje o retorno comercial, ou seja,
o valor comercial agregado ao meu projeto em razão dessa divulgação
on line é muito grande, hoje eu não posso chegar para o meu
patrocinador e dizer que tudo bem, ele on line sabe o resultado da expedição,
se eu cheguei lá em cima ou não, também porque a logomarca
dele está ali sendo divulgada, está recebendo mídia,
está recebendo fotos, recebendo imagens via satélite. Hoje
eu não consigo fazer nenhum projeto sem oferecer, sem expor o patrocinador
na internet.
Acredito que um site tem que ser muito fácil e claro em sua visualização
em todos os termos. A Internet é uma grande ferramenta, tenho grandes
amigos, que nunca vi na minha vida, mas que são amigos internautas,
fãs, pessoas que mandam mensagem de todo o mundo, da Bahia, de Manaus,
Minas Gerais, brasileiros que estão no exterior, na Califórnia,
no Japão, que são super amigos virtuais, amigos da Internet.
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Portal NetBabillons, 14 de Junho de 2003.