Pesquisadora brasileira será premiada pela Unesco por trabalhos relacionados à doença de Chagas
O Brasil será
reconhecido como um dos países do mundo que mais contribui para o estudo
e a prevenção da doença de Chagas. A pesquisadora brasileira
Lúcia Mendonça Previato receberá o prêmio Unesco/LOreal
Mulheres e a Ciência por seus trabalhos sobre o tratamento
e a prevenção à doença. Foram 20 anos de pesquisa
para o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A brasileira foi escolhida entre 180 cientistas
de todo o mundo. O prêmio em dinheiro é de US$ 100 mil.
Este prêmio tem um valor que é representativo e revela
o reconhecimento por um trabalho voltado para a vida. Não imaginava
que fosse ganhar. Temos várias representantes brasileiras. Fiquei surpresa
e também muito contente pelo Brasil e pela UFRJ, neste momento em que
tentamos mais verba para a ciência e a biotecnologia, diz Lúcia.
A pesquisadora está em Paris e retornará ao Brasil no sábado.
Lúcia tem visita marcada no Laboratório da Academia Francesa
de Ciências e receberá oficialmente o prêmio nesta quinta-feira,
no auditório da Unesco em Paris. "O que preocupa é o número
de bolsas de incentivo à ciência e o valor delas no Brasil, que
é muito baixo. Precisamos que o governo atente para a questão.
Um país sem pesquisa não tem desenvolvimento. E com verba constante
e regular isso é possível, cobra a pesquisadora.
Premiação
Lúcia foi a segunda brasileira a receber o prêmio. Além
dela, a Unesco premiou outros quatro cientistas, um de cada continente: uma
sul-africana, uma chinesa, uma francesa e uma americana. Um júri internacional
de 15 membros da comunidade científica, liderados por Christian de
Duve, prêmio Nobel de medicina, foi o responsável pela seleção.
Paralelamente, 15 jovens cientistas foram beneficiadas, recebendo US$ 20 mil
cada para financiar seus projetos de pesquisa a serem desenvolvidos nos doutorados
e pós-doutorados de universidades ao redor do mundo. Foram escolhidas
três de cada continente, sendo que da América Latina e Caribe
foram selecionadas uma argentina, uma mexicana e uma venezuelana.
O prêmio, que é uma parceria da Unesco com a empresa de cosméticos
L'Oréal, está em sua sexta edição e já
reconheceu mulheres de 45 países pela excelência dos seus estudos.
Fonte: Agência Brasil
09/03/2004