Brasil tem avançado muito na pesquisa de células-tronco, diz Mayana Zatz
O Brasil tem
tido vários avanços no campo das pesquisas sobre células-tronco
e conseguido publicar suas descobertas em revistas de impacto, afirmou Mayana
Zatz, responsável pelo Centro de Estudos sobre o Genoma Humano da Universidade
de São Paulo (USP), que participou hoje (11) do Encontro Nacional sobre
Células-Tronco, na capital paulista. Segundo ela, novos recursos que
vêm sendo aprovados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia
são a chance de o país dar um salto qualitativo muito importante
na área.
“Entre nossos projetos para 2009 temos um novo centro de células-tronco
ligado às doenças genéticas. Nós temos o maior
centro de doenças genéticas da América Latina e, a partir
desse centro, vamos poder estudar como os genes causam essas doenças,
testar novas drogas, comparar pacientes com a mesma mutação
e que, muitas vezes um deles não tem nada e um deles tem uma forma
grave da doença. Nós vamos poder responder inúmeras perguntas
visando futuras terapias”, garantiu Mayana Katz.
Segundo um dos organizadores do encontro, José Xavier Neto, pesquisador
do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto
do Coração da USP, o potencial das células-tronco é
incrível e, no futuro, sem dúvida haverá diversas terapias
utilizando esse recurso. “O que está claro para nós agora
é que os benefícios das terapias de células-tronco são
limitados hoje e transitórios para a maioria delas. O tratamento é
bom apenas no transplante de medula, pele e córnea. Nesse caso, está
se usando as células desses tecidos para reproduzir células
iguais”.
O que os pesquisadores perseguem agora é o resultado favorável
para a transformação de células-tronco em tecidos diferentes.
Nesse caso, esse tipo de tratamento está associado a benefícios
pequenos e transitórios, sem muitas evidências de que as células
estejam adquirindo a identidade que os pesquisadores desejam. “Isso
nos leva a concluir que, hoje, terapia com célula-tronco é experimental.
Não necessariamente os tipos de células-tronco que estão
sendo utilizadas hoje serão os que vão dar sucesso alguns anos
na frente”.
Por conta da necessidade de estudos mais profundos e dos diferentes estágios,
que diversas comunidades cientificas estão fazendo nesse sentido, o
encontro tem o objetivo de reunir os pesquisadores para um intercâmbio
de experiências. “Por isso elaboramos o projeto de um curso para
jovens cientistas, que estão começando suas carreiras agora.
Colocamos juntos aqueles, que desenvolvem pesquisas básicas, com aqueles
que tentam desenvolver terapias, para que os dois se complementem, troquem
informações e façam convênios bilaterais”.
No curso, os jovens cientistas da América Latina e do Reino Unido ficarão
16 dias no programa.
Para Xavier Neto, o Brasil está em um caminho bastante interessante
nos estudos sobre as células-tronco, mas ainda não lidera esses
estudos. “Na minha avaliação, isso acontece porque não
temos ainda uma tradição forte em biologia de desenvolvimento,
que é uma ciência relativamente nova. Estamos tentando com todos
esses programas estimular o aparecimento de grupos”. Por outro lado
ele destaca grupos muito bons, que trabalham em outras áreas, e que
dão vantagem competitiva por sua criatividade e interesse em terapias.
Xavier Neto destacou que muitas pessoas esperam o tratamento com células-tronco
e esses tratamentos ainda demorarão muito. “Às vezes achamos
que uma coisa vai demorar muito e surge alguém com uma abordagem brilhante
e demora menos. O que podemos dizer com segurança é que tem
muito chão pela frente, muita pesquisa. O certo é que o potencial
existe, mas quando chegaremos lá, é difícil dizer”.
(Flávia Albuquerque)
Fonte: Agência Brasil.
11/02/2009