Estudo comprova valor medicinal e nutricional de mais duas espécies florestais da Amazônia
O valor medicinal
e nutricional do piquiá e do amapá-doce, duas espécies
florestais da região amazônica, foi comprovado em estudo da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Departamento
para o Desenvolvimento do governo da Grã-Bretanha.
O projeto Dendrogene, desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental, de
Belém (PA), apresentou os resultados de um trabalho inédito
que avaliou o óleo de piquiá e o leite do amapá-doce,
produtos retirados de árvores com valor madeireiro e utilizados como
alimento, além do tratamento de doenças em diversas regiões
da Amazônia. O trabalho fez parte da dissertação de mestrado
da pesquisadora Sílvia Galuppo.
O estudo foi iniciado em 2002, com o objetivo de testar o efeito medicinal
dos dois produtos de acordo com o uso recomendado por uma comunidade tradicional.
A pesquisadora esteve durante quatro meses na comunidade Piquiatuba, localizada
na Floresta Nacional do Tapajós, na região oeste do Pará,
para identificar a forma de exploração e os usos mais comuns
dos produtos. O óleo, retirado do fruto, é tradicionalmente
usado para aliviar dores musculares e reumatismo. O leite, um tipo de látex
extraído do tronco da árvore, é aplicado no tratamento
de doenças como asma e bronquite.
Na etapa seguinte, os laboratórios de agroindústria da Embrapa,
e de farmácia e de química de alimentos da Universidade Federal
do Pará (UFPA) fizeram testes químicos, físicos, fitoquímicos
e farmacológicos nos produtos. Segundo Sílvia Galuppo, a presença
de compostos orgânicos, como esteróides, triterpenóides
e outros, caracterizaram o óleo de piquiá e o leite de amapá
como produtos fitoterápicos medicamentos com componentes terapêuticos
derivados exclusivamente de plantas.
Os testes fitoquímicos e farmacológicos com ratos comprovaram
finalmente a ação antiinflamatória e analgésica
do óleo, e ação antiinflamatória do leite. Quanto
ao teste nutricional, o leite apresentou inclusive maior quantidade de sais
minerais (magnésio, cálcio, etc.) e proteínas do que
os leites de soja e de vaca. Para cada 100g, foram encontrados 120mg de cálcio,
70mg de fósforo, 60 mg de magnésio e até 7,13% de proteínas
totais, valores bastante próximos ao que é recomendado na alimentação
diária.
A pesquisadora explicou que, a partir da descrição farmacológica
realizada no seu trabalho, a comunidade já poderá inclusive
regularizar a comercialização destes produtos na Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Galuppo enfatiza os
cuidados necessários com o manejo das árvores para a obtenção
de produtos medicinais, especialmente em relação ao leite do
amapá-doce, que é obtido através de cortes no tronco
das árvores. A preocupação é que o excesso e a
profundidade dos cortes prejudiquem a produção, tornando a árvore
fraca e comprometendo sua conservação no local.
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
11/06/2004