Pesquisadores da UFF usam planta medicinal brasileira contra veneno da surucucu
Uma pesquisa
apresentada na manhã de hoje (20) pela Universidade Federal Fluminense
(UFF) revelou que o barbatimão, uma planta medicinal da biodiversidade
brasileira, pode neutralizar o veneno da cobra surucucu. A descoberta dessa
propriedade do barbatimão pode significar um antídoto quase
50% mais barato do que o soro antiofídico usado atualmente.
De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto
de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma
serpente que, apesar de registrar número de acidentes no Brasil pequeno
[2% do total de mais de 49 mil casos registrados entre 2001 a 2006 pelo Ministério
da Saúde], quando comparada com jararaca, responsável por 90%
dos ataques, o índice de letalidade dela é bastante expressivo,
três vezes mais letal que o da jararaca”.
Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete
a produção do soro para o veneno da surucucu. Para o biomédico,
a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca
por alternativas antiofídicas.
“O soro é produzido por três laboratórios públicos
no Brasil [Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantan,
em São Paulo, e Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte]
e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento. A vantagem
é que, apesar do índice elevado de acidentes [com cobras], o
número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são
importantes, como as reações alérgicas dos pacientes
[de 30% a 40% dos casos], que podem evoluir para o óbito, o processo
de produção e logística de transportes é caro
e, ainda, o soro não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”,
explicou Fuly.
A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob a orientação
do biomédico, revelou ainda que o barbatimão, já reconhecido
pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico
com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, foi eficiente também
na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida
ao aquecimento de 80 graus Celsius (°C).
“Dez gramas [da planta] podem ser compradas, na internet, por R$ 10.
Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá
e guardar, já que [o chá] não requer tantos cuidados
como o soro para armazenamento. Isso já reduz muito o custo da logística
e da produção”, explicou o orientador do estudo.(Carolina
Gonçalves)
Fonte: Agência Brasil.
20/07/2010