Estratégia de Vacinação contra o Vírus Influenza Pandêmica (H1N1) 2009
Informações
Básicas Perguntas e Respostas
1) O que é influenza A (H1N1)?
É uma doença respiratória aguda, causada pelo vírus
pandêmico (H1N1) 2009. Este novo subtipo do vírus da influenza,
do mesmo modo que os demais, e é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente
por meio da tosse ou espirro e do contato com secreções respiratórias
de pessoas infectadas.
2) O que significa H1N1?
As letras correspondem às duas proteínas da superficie do vírus:
H: Hemaglobulina e N: Neuraminidase . O numero 1 corresponde a ordem em que
cada uma das proteínas foi registrada, significando que ambas as proteínas
tem semelhanças com os componentes do vírus que já circulou
anteriormente, quando da pandemia de 1918-1919.
3) Qual a diferença entre a gripe comum e a influenza pandêmica
(H1N1) 2009?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus influenza.
Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse,
dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações
e coriza. Por isso, ao apresentar estes sintomas, seja pela gripe comum ou
pela nova gripe, deve-se procurar seu médico ou um posto de saúde.
4) Esse vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é mais violento
e mata mais do que o vírus da gripe comum?
Até o momento, o comportamento da nova gripe se assemelha ao da gripe
comum. Ou seja, o vírus pandêmico (H1N1) 2009 não se apresentou
mais violento ou mortal, na população geral. A maioria absoluta
das pessoas que adoece, seja pela gripe comum, seja pela gripe pandêmica,
desenvolvem formas leves da doença e se recuperam, mesmo sem uso de
medicamentos. Para ambas as gripes pessoas com doenças crônica,
gestantes e crianças menores de dois anos são mais vulneráveis.
Mas quando consideramos a população jovem previamente saudável,
este vírus pandêmico tem um maior potencial de causar doença
grave, quando comparado com o vírus da gripe comum. Por outro lado,
o vírus pandêmico tem acometido menos as pessoas maiores de 60
anos. Mas ainda são necessários estudos mais aprofundados que
estão sendo realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento
do novo vírus.
5) Qual vacina será utilizada contra o vírus influenza pandêmica
(H1N1) 2009?
O Ministério da Saúde adquiriu as doses de três laboratórios:
Glaxo Smith Kline (GSK), SANOFI Pasteur (em parceria como Instituto Butantan)
e Novartis. Esses laboratórios são fornecedores de vacinas para
todos os países.
6) Se o processo de desenvolvimento de uma vacina costuma ser longo, como
foi possível produzir a vacina pandêmica tão rapidamente?
Os laboratórios já tinham experiência com a produção
da vacina contra os vírus de influenza sazonal (vacina administrada
anualmente nos idosos no Brasil), e estes investiram em tecnologia num processo
de preparação para a produção de uma vacina para
a prevenção do vírus pandêmico (H1N1) 2009. O Brasil,
por exemplo, fez investimentos na adequação do processo de produção
pelo Instituto Butantan.
7) A vacina a ser utilizada no Brasil é segura?
A vacina a ser utilizada é segura e já está em uso em
outros países. Não tem sido observada nesses paises uma relação
entre o uso da vacina e a ocorrência de eventos adversos graves.
Ressalte-se, entretanto, que a garantia da vacinação segura
está relacionada, também: (i) ao uso de seringas e agulhas apropriadas;
(ii) à adoção de procedimentos seguros no manuseio, no
preparo e na administração da vacina, conforme normas técnicas
estabelecidas; (iii) à conservação da vacina na temperatura
adequada, conforme preconizado; (iv) ao manejo e ao destino adequado dos resíduos
da vacinação (seringas, agulhas etc.); e (v) à qualidade
da capacitação do pessoal envolvido, bem como da supervisão
ao trabalho de vacinação.
Além disso, considera-se como fundamental o monitoramento de eventos
adversos associados temporalmente à vacinação, identificando-os,
notificando-os, investigando-os e confirmando a sua real vinculação
à vacina contra a influenza pandêmica.
8) A vacina a ser utilizada no Brasil é efetiva?
A vacina registra uma efetividade média maior que 95%. A resposta máxima
de anticorpos se observa entre o 14º e o 21º dia após a vacinação.
9) Como a vacina é apresentada?
A vacina é acondicionada em frascos múltidoses, contendo 10
doses. Uma dose correspondendo a 0,5 ml.
a) A do Laboratório Sanofi Pasteur/Instituto Butantan é apresentada
na forma de suspensão (líquido opalescente, transparente e incolor).
b) A do Laboratório GSK vem acondicionada em dois frascos (um com a
suspensão (antígeno) e o outro com a emulsão (adjuvante)
- líquido esbranquiçado homogêneo), sendo preparados momentos
antes da administração.
c) A da Novartis é apresentada em frasco multidoses (10 ou 17 doses),
na forma de suspensão.
10) O Brasil vai utilizar vacina inalável? Há diferenças
entre a inalável e a injetável?
No momento não está previsto o uso de vacina inalável.
A diferença entre uma e outra refere-se à forma de apresentação
e de administração.
11) Então o Brasil vai utilizar somente vacina injetável?
Sim. A vacinação proposta utilizará a vacina injetável,
administrada por via intramuscular, ou seja, com a introdução
da solução dentro do tecido muscular.
12) Qual a quantidade de vacina adquirida pelo Ministério da Saúde?
O Ministério da Saúde adquiriu cerca de 113 milhões de
doses, para administração da população em etapas
distintas.
13) O que é adjuvante?
É uma substância (ou substâncias) imuno-estimulante que
entra na composição de uma vacina.
14) Qual o custo da vacina?
O Ministério da Saúde está investindo recursos da ordem
de R$ 1,3 bilhão para a compra das vacinas.
15) Qual o objetivo da vacinação a ser realizada no Brasil?
O objetivo dessa operação de vacinação é:
i) proteger alguns grupos de maior risco de desenvolver doença grave
ou evoluir para morte durante a segunda onda da pandemia influenza H1N1; ii)
garantir o funcionamento dos serviços para atendimento ininterrupto
dos casos suspeitos ou confirmados da Influenza H1N1, por meio da vacinação
dos trabalhadores de saúde.
16) Quais são os grupos de maior risco?
Até o momento estão definidos como grupos de maior risco:
a) a população indígena aldeada;
b) as gestantes;
c) pessoas portadoras de doenças crônicas;
d) crianças maiores de seis meses até os dois anos de idade
e
e) a população de 20 a 39 anos.
17) Quais as evidências que levaram o Ministério da Saúde
a selecionar esses grupos como os prioritários para a vacinação?
São efetivamente os mais acometidos ou de maior risco?
a) Os trabalhadores da saúde envolvidos na resposta à pandemia
necessitam ser protegidos para garantir o funcionamento dos serviços
de saúde, ou seja, não se pode correr o risco de um possível
colapso de atividade essencial, como pronto atendimento, vigilância
em saúde, laboratório etc., porque o profissional foi atingido
pela pandemia.
b) Entre as mulheres em idade fértil que apresentaram síndrome
respiratória aguda grave (SRAG) por influenza pandêmica, 22%
eram gestantes.
c) Entre os casos de SRAG por influenza pandêmica (H1N1)2009, aproximadamente
35% apresentou alguma comorbidade. Dentre os que apresentaram uma ou mais
comorbidades, o grupo de doenças respiratórias crônicas
foi o mais frequente, com 24,4% dos registros, seguido de doenças cardiovasculares,e
outras doenças crônicas.
d) Os indígenas são considerados grupo prioritário seja
pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior dificuldade
de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem.
e) As crianças menores de dois anos apresentaram a maior taxa de incidência
de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.
f) os jovens entre 20 e 29 anos foram o grupo etário mais acometido,
representando 24% do total de casos de SRAG por influenza pandêmica
(H1N1) 2009.
g) os adultos entre 30 e 39 anos foram o grupo etário mais acometido
em relação a mortalidade, representando 22% do total dos óbitos
de SRAG por influenza pandêmica (H1N1) 2009.
18) Por que não haverá vacinação de toda população?
a) A vacinação em massa para a contenção da pandemia
não é o foco da estratégia estabelecida para o enfrentamento
da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Por um motivo simples, esta
contenção não é mais possível em todo o
mundo.
b) São objetivos primordiais para esta vacinação proteger
os trabalhadores de saúde, de modo a manter o funcionamento dos serviços
de saúde envolvidos na resposta à pandemia, e para alguns grupos
selecionados reduzir o risco associado à pandemia de influenza de desenvolver
doença grave e morrer.
c) Na vigência da pandemia no Brasil e em outros países, esses
grupos foram evidenciados como os de maior risco de apresentarem complicações
graves e mortes por infecção pelo vírus Influenza A H1N1
(2009), como já evidenciado acima.
e) Além disso, não há disponibilidade do produto em escala
mundial em quantidade suficiente para atender a toda a população
do mundo. E há, também, a limitação da capacidade
de produção por parte dos laboratórios produtores, para
entrega em tempo oportuno, ou seja, antes do inicio da segunda onda nos países
do hemisfério sul.
19) Por que então estão sendo incluídos no público
alvo da estratégia grupos de população saudável?
É que o Brasil decidiu ir mais além do que o recomendado pela
OMS que era vacinar apenas os quatro grupos que apresentaram maior risco (trabalhadores
de saúde, gestantes, população indígena e pessoas
com doenças crônicas preexistentes).
Fundamentado em critérios epidemiológicos, descritos acima (
pergunta 17) ampliou o público alvo, incluindo grupos de pessoas saudáveis.
Nas Américas, além do Brasil, apenas Estados Unidos e Canadá
adotaram essa iniciativa, demonstrando assim, o esforço brasileiro
em vacinar a maior quantidade de indivíduos com risco de desenvolver
formas graves ou morrer por esta doença.
20) A vacinação acontecerá em que período? Onde?
A vacinação acontecerá no período de 8 de março
a 21 de maio de 2010, perfazendo nove semanas de trabalho, e acontecerá
ao mesmo tempo em todo território nacional.
21) Como será feita a vacinação?
Os grupos de maior risco, apontados na pergunta 6, serão vacinados
em etapas. Serão quatro etapas envolvendo, em cada uma, um ou mais
de um desses grupos, de acordo com o seguinte cronograma:
Etapas e grupos selecionados:
1ª Etapa 8 a 19 de março
Trabalhador de saúde (1)
População indígena aldeada
2ª Etapa 22 de março a 2 de abril
Gestante em qualquer idade gestacional
Doentes crônicos
Crianças com idade entre seis meses a menor de dois anos
3ª Etapa 5 a 23 de abril
População de 20 a 29 anos
4ª Etapa 24 de abril a 7 de maio
População com mais de 60 anos com doenças crônicas
5ª Etapa 10 a 21 de maio
População de 30 a 39 anos
Fonte: CGPNI/DEVEP/SVS/MS
22) Por que vacinar
os trabalhadores de saúde?
A vacinação dos trabalhadores de saúde tem como principal
finalidade proteger esse grupo de modo a garantir o funcionamento dos serviços
de saúde na eventualidade de uma segunda onda da pandemia, ou seja,
com os profissionais protegidos não haverá risco de colapso
no atendimento da população pela rede de serviços.
23) Quem são esses trabalhadores de saúde?
São aqueles que estão na rede de serviços prestando atendimento
diretamente à população, ou seja, são aqueles
que, em razão das suas funções, estão sob potencial
risco de contrair a infecção pelo H1N1 no contato com possíveis
suspeitos da doença.
Nesse sentido estão aí incluídos os trabalhadores da
atenção básica (estratégia saúde da família
e modelo tradicional), dos serviços de média e alta complexidade
(pequeno, médio e grandeporte) e aqueles que atuam na vigilância
epidemiológica, especialmente na investigação de casos
e no laboratório, cuja ausência por ter contraído influenza
poderia vir a comprometer o funcionamento do serviço e o atendimento
à população.
24) Quando os trabalhadores de saúde serão vacinados?
A vacinação dos trabalhadores de saúde acontecerá
nas duas primeiras semanas da operação, ou seja, no período
de 8 a 19 de março.
25) Se a vacinação não vai cobrir 100% dos trabalhadores
de saúde como será feita a seleção?
As equipes estaduais e municipais já realizaram o levantamento e a
localização do grupo alvo da campanha e definiram a estratégia
local para vacinar esse grupo.
É importante que todos os trabalhadores busquem informação
nos seus serviços e na Secretaria Municipal ou na Secretaria Estadual
de Saúde para tomar conhecimento sobre esses detalhes da vacinação.
26) Por que vacinar a população indígena aldeada?
A população indígena aldeada é sempre considerada
como grupo prioritário na prevenção de qualquer doença
respiratória. Os indígenas são considerados grupo prioritário
seja pela maior vulnerabilidade a infecções, seja pela maior
dificuldade de acesso às unidades hospitalares, caso necessitem
A vacinação iniciará no dia 8 de março e irá
até 19 de março, dentro de uma programação que
já é rotina no âmbito do Programa Nacional de Imunizações
(PNI), em articulação com a Fundação Nacional
de Saúde (FUNASA) e com o apoio de outras instituições,
a exemplo da chamada ‘Operação Gota’ efetivada por
intermédio de cooperação com o Comando da Aeronáutica
– Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) –
como estratégia para alcançar grupos que residem em locais de
difícil acesso geográfico.
A vacinação será indiscriminada para a toda população
aldeada, a partir dos seis meses de idade. As doses administradas a partir
de 15 de fevereiro de 2010 na população indígena serão
consideradas como ‘doses de campanha’ para fins de registro no
sistema de informação.
27) Por que vacinar a gestante se não há indicação
da vacinação deste grupo com a vacina da gripe comum (sazonal)?
a) Não há nenhuma contraindicação à vacinação
de gestantes com a vacina utilizada contra a influenza sazonal (gripe comum),
mas ela não é feita nas campanhas anuais pelo fato de se priorizar
um grupo de maior risco que é a população de 60 anos
e mais – e grupos específicos que se vacinam nos Centros de Referência
para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
b) As gestantes são consideradas como grupo de risco para a influenza
pandêmica H1N1 (2009) Durante a pandemia dentre as mulheres em idade
fértil que apresentaram a síndrome respiratória aguda
grave (SRAG) em decorrência da influenza A H1N1, 22% eram gestantes.
28) Não há, portanto, risco para a gestante e para o feto? Não
há risco de aborto?
a) Não há risco em vacinar grávidas. Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS) e de acordo com os padrões de segurança
declarados pelos laboratórios produtores, a vacina contra o vírus
influenza A H1N1 é segura para a gestante.
b) Não há, de outro modo, evidências de que a vacina possa
causar dano ao feto ou afetar a capacidade reprodutiva, ou, também,
sobre a ocorrência de aborto provocado pela vacina nos países
em que esta foi administrada para o enfrentamento da pandemia.
29) A vacinação da grávida é feita em qualquer
idade da gestação?
Sim, como será utilizada a vacina que não contém o adjuvante,
essa vacina é indicada para qualquer idade gestacional. A vacina que
contém o adjuvante só poderia ser administrada a partir do 2º
trimestre da gravidez.
O Ministério da Saúde optou, então, por vacinar a gestante
somente com a vacina sem adjuvante por dois motivos: (1) para não atrapalhar
a operacionalização da vacinação e (2) para evitar
que qualquer intercorrência na gestação de mulher inadvertidamente
vacinada antes do 2º trimestre da gravidez com a vacina que contém
o adjuvante viesse a ser atribuída à vacina.
30) Por que as grávidas não podem tomar a vacina com adjuvante?
Por zelo, o Ministério da Saúde está orientando que a
vacinação da gestante, a utilização de vacinas
sem adjuvantes. Porém, a OMS/OPAS orienta a utilização
de qualquer uma das vacinas: sem adjuvantes ou com adjuvantes; isso em função
da experiência de outros países já estão vacinando
desde novembro de 2009.
31) Quando será feita a vacinação da gestante?
A vacinação da gestante será realizada a partir do dia
22 de março e enquanto durar a vacinação (até
21 de maio), ou seja, serão sete semanas para mobilização
da mulher grávida a buscar a sala de vacinação dos serviços
de saúde. Depois desse período, as mulheres que engravidarem
poderão se vacinar.
32) Por que vacinar portadores de doenças crônicas?
Na pandemia de 2009, dentre os casos de SRAG pelo vírus influenza H1N1
observou-se um alto percentual de pessoas com doenças crônicas.
Os portadores de doenças respiratórias crônicas, por exemplo,
foi o de maior freqüência com 24,4% dos registros, seguido das
doenças cadiovasculares e outras doenças crônicas. Essas
situações caracterizam pessoas que precisam de proteção
por já se encontrarem em situação de vulnerabilidade,
podendo apresentar quadros de maior gravidade e morte.
33) O que é comorbidade?
Comorbidade consiste na coexistência de doenças em uma mesma
pessoa, ou seja, na existência concomitante de diferentes condições
patológicas em um mesmo paciente. Em muitas situações
a presença de determinadas patologias, especialmente crônicas,
aumenta a probabilidade de desenvolvimento de doença grave ou morte,
quando a pessoa é acometida por outra doença.
34) Que situações serão consideradas para caracterizar
os portadores de doença crônica?
Até o momento estão incluídos nesse segmento:
· Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente
nos seguintes parâmetros:
- crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de
massa corporal (IMC) igual ou maior que 25;
- criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos
com IMC igual ou maior que 35;
- adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior
de 40;
· Indivíduos com doença respiratória crônica
desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
· Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves,
conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de
Pneumologia;
· Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento
da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)
· Pessoas com imunodepressão por uso de medicação
ou relacionada às doenças crônicas;
· Pessoas com diabetes;
· Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência
respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose,
pneumoconioses);
· Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose,
hepatite crônica com alteração da função
hepática e/ou terapêutica antiviral;
· Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica,
principalmente em doentes em diálise;
· Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias;
· Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente
indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença
reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
· Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência
cardíaca;
· Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão
clínica e/ou hemodinâmica:
- Hipertensão arterial pulmonar;
- Valvulopatias;
· Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção
ventricular (fração de ejeção do ventrículo
esquerdo [FEVE] menor do que 0.40);
· Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular
[FEVE] menor do que 0.40;
· Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas;
· Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não
corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea;
· Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva);
· Pessoas com pericardiopatias.
35) Qual a base para definir essas situações como prioritárias
para a vacinação?
A definição dos grupos prioritários, como já referido,
tomou como base a situação epidemiológica e recomendações
da OMS e da OPAS.
De modo mais específico, em relação à seleção
dos estados crônicos, o Ministério da Saúde ouviu representações
de sociedades científicas e profissionais, como o Conselho Federal
de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB),
a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), a Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia,
as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Endocrinologia e Metabologia,
de Imunizações, de Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, núcleos
de educação e saúde coletiva, bem como as instituições
que têm assento no Comitê Técnico Assessor do Programa
Nacional de Imunizações (CTAI).
36) Os idosos (população com mais de 60 anos) portadores de
agravos crônicos estão incluídos nesse grupo?
Os idosos (pessoas com mais de 60 anos) portadores de algum desses agravos
não serão vacinados neste momento e sim no período de
24 de abril a 7 de maio, durante a campanha anual de vacinação
do idoso contra a influenza sazonal.
37) A vacinação de pessoas com doenças crônicas
não apresenta risco de reações?
A vacina é segura e a possibilidade de ocorrer um evento adverso após
a administração da vacina em pessoas com doença crônica
é a mesma de qualquer outra pessoa.
38) Como as pessoas vão comprovar a sua condição de portador
de doença crônica, de modo a justificar a vacinação?
Como essas pessoas serão vacinadas?
De modo geral, os portadores dessas patologias já frequentam unidades
de saúde ou serviços de referência, sendo acompanhados
por profissionais de saúde.
Na organização da operação de vacinação
as equipes de coordenação municipal e estadual deverão
identificar esses serviços e articular estratégias de convocação
ou de visita aos serviços ou instituições de referência,
onde será possível localizar e vacinar a população
comprovadamente portadora de comorbidade.
A comprovação da vacina administrada deve ser feita no documento
de registro utilizado para o registro de outras vacinações (caderneta
ou cartão).
39) Se mais de 90% dos casos de gripe vêm sendo causados pelo vírus
pandêmico, por que manter a vacinação da gripe comum para
idosos?
A influenza é causada por diversos tipos de vírus e os que provocam
a gripe sazonal não deixaram de circular e provocar a doença,
ainda que em 2009 essa circulação tenha sido bastante reduzida.
A circulação do vírus da Influenza Pandêmica em
2009 e 2010 continua sendo predominante.
Como não é possível prever como ocorrerá a gripe
sazonal em meados de 2010 é necessário continuar protegendo
este grupo que é o mais vulnerável para esse tipo de gripe.
A gripe sazonal continua sendo importante causa de internação
e de doença grave em idosos.
40) Por que as crianças com menos de seis meses não estão
incluídas? Há contraindicação para vacinação
desse grupo?
A vacina atualmente disponível não é recomendada para
o grupo de menores de seis meses em razão de não haver estudos
que demonstrem a qualidade da resposta imunológica, ou seja, a proteção
não é garantida.
41)Como será feita a identificação dos vacinados durante
a estratégia, de maneira a garantir a vacinação do grupo
alvo?
a)Para alguns grupos alvo que têm como especificidade a faixa etária
será solicitada a apresentação de documento de identificação
que comprove a idade.
b) Para os portadores de doenças crônicas pré-existentes
a adesão será de iniciativa do próprio portador da doença,
não sendo indicada a exigência de atestado médico para
não burocratizar o acesso à vacinação, confiando-se
na busca consciente por parte dos que realmente necessitam. Sabe-se, ainda,
que grande parte dos portadores de doenças crônicas recebe acompanhamento
sistemático dos serviços de saúde.
c) No caso das gestantes também é esperada a adesão espontânea,
confiando-se também na informação verbal da mulher, ou,
de outra maneira, o encaminhamento a partir do pré-natal.
42) Quem teve a gripe pandêmica e teve confirmação laboratorial
deve tomar a vacina?
a) Sim. Quando uma pessoa é infectada pelo vírus influenza A
adquire imunidade para aquele subtipo específico de vírus que
a infectou. Assim, quem já teve a gripe pandêmica comprovadamente
(com diagnóstico laboratorial positivo) em princípio, está
imune, embora haja registro de alguns casos que desenvolveram uma segunda
infecção.
A duração da imunidade pode variar de pessoa para pessoa, mas,
no caso desse vírus sofrer mutação um novo contágio
poderá ocorrer.
b) Se a pessoa pertencer a um dos grupos prioritários deve ser vacinada,
pois a maioria das pessoas que teve gripe nesse período não
teve comprovação laboratorial.
43) Por que as unidades federadas mais atingidas durante a primeira onda não
terão prioridade na vacinação?
Por uma questão operacional a estratégia de vacinação
ocorrerá em etapas, considerando os grupos prioritários, mas
acontecerá de forma simultânea em todo país.
44) Se a pessoa quiser pode optar por tomar a vacina em serviço privado,
pagando por ela?
Pode sim. Não haverá impedimento, por parte do Ministério
da Saúde, para o setor privado adquirir vacinas. O que pode ocorrer,
nessa circunstância, é a limitação da disponibilidade
do produto, que irá depender da capacidade de fornecimento pelos laboratórios
produtores.
45) Qual a incidência de efeitos colaterais (eventos adversos) até
agora?
A OMS estima que foram distribuídas cerca de 80 milhões de doses
da vacina contra a influenza pandêmica e até o final de novembro
foram vacinadas aproximadamente 65 milhões de pessoas. A grande maioria
do que vem se apresentando se assemelha a vacina sazonal administrada em idosos,
que são reações leves: dor local, febre baixa, dores
musculares, que se resolvem em torno de 48 horas.
46)O governo se prepara para a possibilidade de fraude?
Esperamos que a linguagem da mídia de esclarecimento a população
seja clara para que a mesma busque a vacina em lugares seguros e faça
denúncias em caso dúvidas de sua procedência, distribuição
e uso.
Em relação à possível fraude na produção
de vacinas ou disponibilidade, o Governo Brasileiro dispõe de mecanismos
para controle de qualidade de todas as vacinas por meio do Instituto Nacional
de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS). Há também,
o controle por meio da ANVISA que assegura o registro dos produtos em oferta
em nosso país.
47)A vacinação para Influenza A (H1N1) - 2009 será mantida
para os próximos anos?
Como uma pandemia de influenza qualquer predição é ainda
especulativa. o Brasil seguirá sempre as recomendações
da OMS.
48) Como a vacina é acondicionada? Precisa de equipamento especial?
Todas as vacinas são acondicionadas em equipamentos de refrigeração
(refrigeradores domésticas ou comerciais e câmaras frigoríficas)
e em caixas térmicas.
A vacina contra influenza pandêmica deverá ser armazenada e acondicionada
entre +2° e +8° C desde a Central Nacional de Armazenamento até
o nível local, ou seja, utilizando os mesmos equipamentos para as demais
vacinas.
49)A capacidade da rede de frio de imunobiológicos do Brasil é
suficiente para estocar a vacina?
Esta vacina não terá necessidade de estocagem, pois terá
utilização rápida. Portanto, as 36 mil salas de vacinas
dos 5.565 municípios brasileiros possuem estrutura necessária
para o armazenamento das vacinas de rotina e campanhas. Caso seja necessário
o reforço de equipamentos, cada Estado suprirá as necessidades
conforme plano elaborado e recursos distribuídos. 50) Quais são
eventos adversos da vacina? Comparativamente a outras vacinas.
Os eventos adversos relatados pelo laboratório GSK:
a) Muito comum (cerca de 10% dos vacinados): dor no local da aplicação,
cefaléia, dor articular, muscular e fadiga;
b) Comum: Náusea, diarréia, sudorese, hiperemia no local da
aplicação, inchaço no local da aplicação
e tremores;
c) Raros: Linfadenopatia, insônia, tontura, parestesia, vertigem, dispnéia,
dor abdominal, vômitos, dispepsia, desconforto gástrico, prurido,
erupção cutânea, dor nas costas, rigidez músculo
esquelética, dor no pescoço, espasmos musculares, dor nas extremidades,
reações no local de injeção (hematoma, induração,
prurido e aumento de temperatura), astenia, dor no peito e mal estar.
51)Na hipótese de o vírus persistir durante muitos anos, eu
vou precisar me reimunizar?
Se não houver mutação do vírus, não será
necessária a revacinação.
52) Se eu me vacinar com vacina contra a gripe sazonal, não corro perigo
de pegar a gripe suína em seu estado atual, já que a vacina
da gripe normal não garante que eu nunca mais adoeça?
Se o indivíduo se vacinar com a vacina sazonal e estiver dentro do
grupo prioritário deverá também se vacinar contra a vacina
pandêmica.
Fonte:
Ministério da Saúde.
08/03/2010