Brasil acelera redução de gravidez na adolescência
O ritmo de queda
no número de partos na adolescência acelerou nos últimos
cinco anos na rede pública.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que a quantidade
desses procedimentos em adolescentes de 10 a 19 anos caiu 22,4% de 2005 a
2009. Na primeira metade da década passada, a redução
foi de 15,6%. De 2000 a 2009, a maior taxa de queda anual ocorreu no ano passado,
quando foram realizados 444.056 partos em todo o País – 8,9%
a menos que em 2008. Em 2005, foram registrados 572.541. Ao longo da década,
a redução total foi de 34,6% (veja tabela).
O Ministério da Saúde atribui essa tendência às
campanhas destinadas aos adolescentes e à ampliação do
acesso ao planejamento familiar. Só no ano passado, foram investidos
R$ 3,3 milhões nas ações de educação sexual
e reforço na oferta de preservativos aos jovens brasileiros. Nos últimos
dois anos, 871,2 milhões de camisinhas foram distribuídos para
toda a população. Qualquer pessoa pode retirar as unidades nos
postos de saúde.
Nesses locais, os adolescentes também recebem o apoio de um profissional
de saúde para avaliar qual é o método contraceptivo mais
adequado ao estilo de vida dos parceiros. Entre as opções, estão
as pílulas anticoncepcionais, a injeção de hormônios
e o DIU. A dupla proteção – o uso do método contraceptivo
associado ao preservativo – é recomendada para que, além
de evitar uma gravidez, os jovens se previnam de doenças sexualmente
transmissíveis (DST) e aids.
A coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério
da Saúde, Thereza de Lamare, avalia que o sistema público está
cada vez mais preparado para receber adolescentes e dar orientações
sobre a saúde sexual deles. Mesmo assim, o planejamento familiar nessa
faixa etária ainda enfrenta resistência por causa de preconceito.
“Até hoje, alguns adultos têm dificuldade de compreender
que o adolescente é um indivíduo sexuado e, em seu processo
de crescimento, ele vai descobrir e ter relações afetivas”,
destaca.
“Reconhecer os direitos sexuais e reprodutivos desse grupo é
uma conquista do Brasil”.
Atualmente, os adolescentes do sexo masculino vêm procurando cada vez
mais o serviço público de saúde no intuito de retirar
os preservativos. “Nossa prioridade agora é para que o rapaz
seja envolvido em outras ações, inclusive nas situações
de gravidez da parceira ou da namorada. Estimulamos que ele acompanhe o pré-natal
e o parto, participando do dia a dia da companheira e cuidando da própria
saúde”, explica Thereza de Lamare.
EDUCAÇÃO SEXUAL – Em 2003, o governo federal iniciou uma
série de ações de prevenção de DSTs em
colégios públicos. Por meio de uma parceria entre os ministérios
da Saúde e Educação, profissionais das equipes do Saúde
da Família tornaram-se parceiros dos professores da rede pública
e levaram para a sala de aula conteúdos de saúde sexual e reprodutiva.
As atividades foram incorporadas pelo Programa Saúde na Escola (PSE),
implementado em 2008.
Atualmente, o PSE é uma das ferramentas de conscientização
dos estudantes de ensino médio para prevenir DSTs e evitar gravidez
indesejada. Mais de 8 milhões de alunos de 54 mil escolas já
foram orientados. Dessas, quase dez mil distribuem preservativos. O programa
alcança atualmente 1.306 municípios brasileiros.
Além disso, o MS começou a produzir as Cadernetas de Saúde
do Adolescente no ano passado. A cartilha contém informações
sobre temas essenciais para os mais jovens, como alimentação,
saúde sexual e reprodutiva e uso de drogas. No total, foram entregues
4 milhões de cadernetas em 451 municípios. A previsão
para 2010 é distribuir mais 5 milhões nos postos de saúde.
O Ministério da Educação também vai enviar 6 milhões
de cartilhas para as unidades básicas de saúde dos municípios
onde foi implementado o PSE.
DIFERENÇAS REGIONAIS – A maior redução no número
de partos de adolescentes, nos últimos cinco anos, ocorreu na Região
Nordeste (26%). Em 2005, foram 214.865 procedimentos contra 159.036 no ano
passado. O Centro-Oeste vem em seguida, com 32.792 partos – 24,4% a
menos que em 2005. Abaixo da taxa média de queda, estão: Sudeste
(20,7%), Sul (18,7%) e Norte (18,5%).
Fonte: Ministério da Saúde.
08/03/2010