Abertura.
Fale conosco, e-mail, telefone e endereço.

Obras no São Francisco podem levar água a 15 milhões

O projeto de integração da bacia do rio São Francisco com outras seis bacias do norte nordestino beneficiará também as comunidades situadas ao longo dos dois canais. Os canais que integram as bacias devem percorrer cerca de 720 km. Quatrocentas localidades situadas na região serão abastecidas por meio de adutoras.
No entanto, na área diretamente afetada pela obra, a 10 km dos canais, existem cerca de 700 famílias que poderão passar por um processo de desapropriação de terras. O cadastramento dessas famílias já começou. O governo dispõe, para 2005, de R$ 70 milhões para a compra dos terrenos e reassentamento dos moradores.
Para o Ministério da Integração Nacional, os impactos positivos e negativos chegam a um equilíbrio. Principalmente se for levado em conta que as bacias receptoras passarão a garantir o abastecimento de quase 15 milhões de pessoas. Só na Paraíba, serão cerca de 1 milhão de beneficiados.
Presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura da Paraíba, Liberalino de Lucena acredita que esse número pode ser ainda maior se, além do rio do Peixe, os canais chegarem ao rio Pinhacó. Aos 60 anos, o morador de Patos das Espinharas conhece bem o sofrimento provocado pela seca.
"Para o Nordeste, a transposição do rio São Francisco é uma questão de vida, e para a Paraíba eu diria que é questão de nascimento", filosofa o agricultor. "Na Paraíba, quando chove bem, chove 80 dias. Quando chove, que é difícil. Tivemos cinco anos de seca em que quase morre todo mundo."
Educador em Limoeiro do Norte (CE), Francisco Rosângelo Marcelino só espera que o governo cumpra a promessa e não utilize as águas do São Francisco prioritariamente para agronegócio e complexos industriais. Marcelino mora na região da bacia do Jaguaribe, o rio mais seco do mundo.
"Nós vivemos numa região muito pobre. Como é que a gente quer distribuir riqueza, promover a inclusão social, se a gente não está socializando essa água?", pergunta o educador. "Aqui, as pessoas ficam lutando por uma cisterna de placa para captar água de chuva ou então são atendidas com carro-pipa."
De acordo com o Ministério da Integração, as Nações Unidas determinam que o nível mínimo de sobrevivência para uma pessoa beber água, tomar banho e ter alguma possibilidade econômica é de 1,7 mil metros cúbicos de água por habitante/ano.
Nas regiões que o projeto de integração pretende atingir, a disponibilidade está em torno de 500 metros cúbicos de água ao ano por habitante - praticamente um terço do mínimo que a ONU exige.
Pelos cálculos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), os recursos aplicados em atendimento emergencial em conseqüência dos efeitos da seca foram de R$ 2,2 bilhões somente entre 1998 e 2000.(Juliana Cézar)
Fonte: Agência Brasil
02/12/2004

Página de aberturaÍndice de notícias.