Joinville representa Brasil em seminário binacional
Joinville assumiu nesta
segunda-feira (28), na Ilha da Madeira, Portugal, a posição
de representante de municípios brasileiros no 5º Seminário
Binacional de Gestão Pública Municipal. O prefeito de Joinville
Marco Tebaldi foi convidado a ocupar essa posição por sugestão
do Instituto Ambiental Biosfera, com o aval de prefeitos de vários
Estados Brasileiros.
Joinville é um dos destaques no encontro por ter desenvolvido nos
últimos anos duas ações no setor ambiental que foram
avaliadas pelos auditores do Instituto Biosfera. O primeiro foi a adoção
das bacias hidrográficas como unidades de planejamento, gerenciamento
e gestão ambiental. Até então, os cursos naturais de
água e suas áreas de influência tinham como referência
regiões ou bairros da cidade.
O outro é o projeto de compensação financeira para
agricultores cujas propriedades estão inseridas na Área de
Proteção Ambiental Serra Dona Francisca, em que o poder público
libera valores mensais de 50% a 165% do salário mínimo durante
três anos, num investimento total de R$ 152.460,00. A contrapartida
dos agricultores é a realização de plantio e manutenção
das áreas recuperadas.
A proposta do 5º Seminário de Gestão Pública é
o intercâmbio de experiências administrativas em áreas
como meio ambiente, administração, infra-estrutura, assistência
social e a assimilação dessas ações por outras
cidades. A cidade de Funchal, capital da Ilha da Madeira, localizada no
Oceano Atlântico há cerca de 700 quilômetros da costa
portuguesa, nos últimos 25 anos, transformou-se em moderna cidade
turística, com a segunda melhor qualidade de vida de Portugal, abaixo
apenas de Lisboa.
"O que estamos vendo aqui em Funchal é algo que impressiona
em todos os detalhes, com destaque para a organização da cidade,
um sistema de trânsito moderno, a presença maciça de
turistas de toda Europa e, acima de tudo, a preservação da
beleza natural", sintetizou o prefeito Marco Tebaldi.
O presidente do Instituto Biosfera, Dorival Bruni, destacou que, além
das fortes raízes culturais, já existem vários pontos
de interesse entre Portugal e o Brasil no que se refere a interesses comerciais,
como fortes investimentos na área turística e das telecomunicações.
Observou que, com a integração de Portugal à União
Européia, Portugal avançou bastante em modernização
administrativa.
O prefeito de Funchal, Miguel Felipe Machado de Albuquerque, disse na abertura
oficial do seminário que no próximo ano a cidade estará
completando 500 anos e que hoje é um lugar muito diferente daquele
que viveu um forte surto de riqueza nos primeiros anos de ocupação
com a agricultura da cana-de-açúcar e uvas para o vinho e
viu na decadência dessas atividades um forte movimento migratório
para o Brasil e África do Sul. "Nossa grande arrancada aconteceu
a partir do fim do Salazarismo e a conquista da independência administrativa
em 1974."
O prefeito de Funchal disse aos colegas brasileiros que a administração
de qualquer cidade tem de obedecer a três pontos básicos: 1)
Criação de bom ambiente e qualidade de vida através
da oferta de segurança, lazer, saúde, educação
e outros apoios públicos; 2) Economia próspera e 3) Coesão
e equidade social através do apoio à infância e idosos.
"Enfim, o governante tem de satisfazer o que os cidadãos querem",
disse o prefeito português.
De uma economia estruturada na pequena propriedade agrícola familiar,
Funchal é atualmente a segunda maior força econômica
de Portugal, num perfil que mescla turismo com prestação de
serviços. Anualmente, a cidade de 120 mil habitantes recebe cerca
de 450 mil turistas.
Descentralização
O vice-presidente da Câmara de Funchal, que desempenha o papel de
vice-prefeito, Bruno Miguel Camacho Pereira fez um relato dos aspectos econômicos
com críticas ao monetarismo adotado pela União Européia
em detrimento do social. "Para nós, a prioridade é o
social, porque é a partir de uma boa qualidade de vida que advém
o desenvolvimento econômico." Segundo ele, Portugal tem avançado
nesta direção a partir de uma visão de descentralização.
Na ilha da Madeira, por exemplo, onde existem nove cidades, o governo regional
destina 60% dos fundos de investimento aos municípios, e garante
com os 40% restantes atribuições como segurança e educação.
"Se tivéssemos essa proporção no Brasil, os municípios
teriam muito melhores condições de investir no desenvolvimento
das cidades", comentou o prefeito de Joinville, Marco Tebaldi.
Programação
Nesta terça-feira, o seminário abre com apresentações
de projetos de prefeituras brasileiras, prossegue com palestra sobre "Políticas
e Diretrizes de Funchal para o meio ambiente, saneamento e água,
projetos sociais, modernização administrativa, transporte
e energia na ilha da Madeira e visita à empresa responsável
pela gestão administrativa e conservação de balneários,
praias, jardins e passeios públicos.
Fonte: Diretoria de Comunicação Social - Prefeitura Municipal
de Joinville
28/05/2007