ONU quer parceria com o Brasil para melhorar tratamento de usuários de drogas
O governo brasileiro
recebeu hoje (24) representantes do Escritório das Nações
Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e da Organização Mundial
da Saúde (OMS). A missão internacional tem o objetivo de discutir
um programa global conjunto voltado para a promoção do acesso
ao tratamento e à assistência integral e humanizada para usuários
de álcool e outras drogas.
De acordo com o representante do Escritório Regional do Unodc para
o Brasil e Cone Sul, Bo Mathiesen, o debate precisa envolver a atenção
integral ao usuário de drogas, por meio do respeito aos direitos humanos.
“Trata-se da ampliação da perspectiva de futuro dessas
pessoas, que têm uma doença tratável, mas que, muitas
vezes, são marginalizadas. É preciso que governos, organismos
internacionais e sociedade civil atuem em conjunto”, afirmou. Mathiesen
destacou desafios a serem considerados no cenário brasileiro, como
o fato de o país fazer fronteira com três grandes produtores
de cocaína – a Colômbia, o Peru e a Bolívia.
Para o representante do Departamento de Ações Programáticas
e Estratégicas do Ministério da Saúde, José Luiz
Telles, a cooperação internacional é fundamental, porque
significa a união de esforços em busca de medidas para diminuir,
por exemplo, o consumo de crack no país.
“Alcançamos um patamar razoável de assistência à
saúde [dos usuários de drogas], mas sempre desejamos mais”,
acrescentou.
O representante da Assessoria Internacional do ministério, Eduardo
Botelho Barbosa, considera o tema “um verdadeiro desafio civilizatório”
e destacou que é preciso ter consciência de que se trata de um
problema de saúde pública global.
Ele reconheceu a necessidade de um olhar inovador sobre o cenário das
drogas no país e avaliou que é preciso repensar as atuais abordagens.
“Enfatizar o tratamento já é um passo importante, um desdobramento
positivo porque representa uma abordagem inovadora”, disse. “Temos
que levar em conta as peculiaridades que existem no Brasil, políticas
que o governo já desenvolveu”, completou. (Paula
Laboissière)
Fonte: Agência Brasil.
24/03/2010