Presidente do Ipea defende mudança de mentalidade nas relações entre países ricos e pobres
O resultado do
esforço dos países em desenvolvimento para superar a crise mundial
iniciada no final de 2008 mostrou a "necessidade de mudança de
mentalidade” no que diz respeito à submissão que havia
no terceiro mundo “às orientações dos países
do Norte", segundo afirmou na manhã de hoje (12) o presidente
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann.
Ele falou na abertura do Fórum Acadêmico Índia-Brasil
e África do Sul (Ibas), que vai discutir em Brasília Um Diálogo
de Políticas Públicas. Segundo ele, os países do Norte
"tradicionalmente receitavam fórmulas para serem seguidas pelas
nações do Sul, mas, nas duas últimas décadas,
não apoiaram estes para saírem da pobreza".
Como exemplo da mudança de mentalidade, Pochmann afirmou que "os
países em desenvolvimento saíram da última crise seguindo
receitas próprias".
Ele defendeu a criação de "uma nova visão para fazer
face a essa realidade global", lembrando que as nações
ricas trabalharam exclusivamente para apoiar seus bancos e suas empresas"
e nada fizeram pelos países emergentes, desde 2008.
Desde a Grande Depressão, na década de 30, reiterou Pochman,
"não tínhamos visto um processo de recuperação
de países em crise que não partisse dos países ricos".
Ele lembrou que o Brasil, no ano passado "conseguiu equilibrar a situação
da economia interna sem afetar a pobreza".
A criação de uma nova ordem econômica mundial foi apontada
por Pochman como solução para construir um novo mundo a partir
de novas ideias convergentes nos campos econômico e ambiental.
Fonte: Agência Brasil.
12/04/2010