Lula pede em Washington mundo sem armas nucleares

Washington (EUA) - Presidente Lula em foto oficial com participantes
da
Cúpula de Segurança Nuclear (Ricardo Stuckert/PR)
O Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje (13), durante o segundo e último
dia da Cúpula de Segurança Nuclear, que todos os países
eliminem o arsenal nuclear para neutralizar a possibilidade de que organizações
terroristas tenham acesso à bombas atômicas. “O modo mais
eficaz de se reduzir os riscos de que agentes não-estatais utilizem
explosivos nucleares é a eliminação total e irreversível
de todos os arsenais nucleares”, disse o presidente, em reunião
fechada com os líderes de outras 46 nações que participam
do encontro.
A cúpula de segurança nuclear foi convocada pelos Estados Unidos,
que classificam o terrorismo atômico como a "ameaça mais
grave e iminente" à segurança mundial. Nove países
têm a bomba atômica no mundo.
Na apresentação, o presidente ainda lembrou que o programa Nuclear
brasileiro tem fins estritamente pacíficos e possui uma legislação
“robusta, eficiente e adequada” para prevenir o terrorismo nuclear.
“O compromisso do Brasil com a segurança nuclear é inabalável",
afirmou. "O Brasil está pronto para colaborar ativamente para
um mundo mais seguro, em que – paralelamente à eliminação
de todos os arsenais nucleares – os materais físseis [urânio
altamente enriquecido e plutônio] e as instalações nucleares
estejam protegidos.”
O Brasil mantém uma posição contrária à
adotada pelos Estados Unidos sobre a fórmula para aumentar a transparência
do programa nuclear do Irã, país que não foi convidado
para este encontro. Os norte-americanos querem que o Conselho de Segurança
das Nações Unidas aprove novas sanções sob o argumento
de que os iranianos trabalham secretamente para produzir armamento nuclear.
O Irã garante que o programa nuclear do país é utilizado
apenas para fins pacíficos.
O presidente Lula aproveitou o discurso para reafirmar o descontentamento
do governo brasileiro com o formato do Conselho de Segurança das Nações
Unidos, o mesmo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. O governo
defende que o Conselho seja ampliado e que o Brasil passe a ocupar um assento
permanente no órgão máximo de deliberação
das Nações Unidas.
“A ONU vem perdendo credibilidade. Ao não contar com um conselho
de segurança mais representativo e com mais legitimidade - e cada vez
mais descompassado com a realidade atual -, as Nações Unidas
perdem espaço na governança da segurança internacional.
Isso não interessa a ninguém”, afirmou. (Roberto
Maltchik)
Fonte: Agência Brasil.
13/04/2010