Lula avisa que governo vai construir Belo Monte mesmo sem a participação de empresas privadas

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fala à
imprensa sobre a
Usina Hidrelétrica de Belo Monte, após encontro com o
Presidente do Líbano, Michel Sleiman, no Palácio Itamaraty
(Antonio Cruz/ABr)
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou hoje (22) que a Usina
de Belo Monte, no Pará, será construída mesmo sem a participação
de empresas privadas. A reação do Presidente ocorre no momento
em que a construtora Queiroz Galvão ameaça deixar o leilão.
Lula comemorou a vitória judicial contra os adversários da construção
da hidrelétrica e a realização do seu leilão.
Segundo ele, a participação é livre e não há
“cadeado” prendendo ninguém.
“No leilão entrou quem quis, sai quem quiser depois. Não
tem cadeado algum fechando a porta. Não tem. Tem várias portas,
quem quiser entrar entra, quem quiser sair, sai. Não tem nenhum problema.
A única coisa que eu digo, é o seguinte: nós, enquanto
Estado brasileiro, enquanto empresa pública faremos sozinhos, se for
necessário fazer”, afirmou ele, depois de evento no Itamaraty.
O Presidente disse que a polêmica em torno do assunto já dura
três décadas. De acordo com ele, as críticas aos governos
anteriores se referem ao fato de não terem feito a usina. Segundo Lula,
o processo envolvendo as discussões, os debates e até embates
judiciais foi o de “maior democratização possível”.
“Nós conseguimos, no maior processo de democratização
possível, legalizar e fazer o leilão de Belo Monte. Tivemos
que derrotar tantas quantas liminares entraram na Justiça, agora, o
argumento dos contra é dizer que o preço foi barato? Eu achei
fantástico. Nós fazemos leilão para quê? Para que
a melhor oferta ganhasse e a melhor oferta é o preço de energia
que vai chegar para o consumidor”, disse ele.
Segundo Lula, as empresas que desistiram de concorrer ficaram livres para
decidir se permaneceriam na disputa. Para ele, as companhias que desistiram,
fizeram uma opção. “De repente, a menor oferta ganha e
as pessoas começam a dizer ‘mas foi oferecido por empresas pequenas,
as grandes caíram fora’. Caíram fora porque quiseram.
Disputa é disputa”, afirmou.
De acordo com o presidente, o país que quer ser a quinta economia do
mundo na próxima década deve oferecer aos investidores a garantia
de fornecimento de energia com capacidade de pelo menos cinco anos. “Por
isso estamos fazendo [as hidrelétricas de] Santo Antônio, Jirau
e Estreito e vamos logo logo anunciar o complexo Tapajós que será
uma revolução no sistema de produção de energia
hidrelétrica nesse país. É o projeto plataforma”,
afirmou. (Renata Giraldi)
Fonte: Agência Brasil.
22/04/2010