Ahmadinejad esclarecerá detalhes à Aiea e ao Conselho de Segurança da ONU

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recebido
pelo presidente do Irã,
Mahmoud Ahmadinejad. (Ricardo Stuckert / PR)
Um documento
com dez itens foi a base do acordo de transferência de urânio
firmado hoje (17) em Teerã entre os governos do Brasil, do Irã
e da Turquia. Pelo acordo, o Irã vai enviar à Turquia 1,2 mil
quilos de urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio
enriquecido a 20%. No documento, o governo do presidente iraniano, Mahmoud
Ahmadinejad, compromete-se a informar sobre o processo à Agência
Internacional de Energia Atômica (Aiea) e a buscar negociar com o Conselho
de Segurança das Nações Unidas.
A disposição de Ahmadinejad ocorre no momento em que os Estados
Unidos – que integram o Conselho de Segurança como membro permanente
– pressionam pela adoção de sanções contra
o Irã por suspeitar que seu programa nuclear esconda a produção
de armas atômicas.
Segundo informações da agência iraniana de notícias,
a Irna, o acordo reitera o compromisso de não proliferação
de armas logo no primeiro item. Esse compromisso
inclui o direito de desenvolver pesquisa, a produção e utilização
da energia nuclear, com o chamado ciclo do combustível nuclear e atividades
de enriquecimento - para fins pacíficos.
No segundo item, o governo do Irã informa estar convencido de que o
acordo é o início de uma nova “proposta positiva e construtiva,
em uma atmosfera de não confronto que conduz a uma era de interação
e cooperação”. No parágrafo seguinte, os iranianos
afirmam que a troca de urânio levemente enriquecido pelo produto enriquecido
a 20% “é fundamental para o lançamento da cooperação
em diferentes áreas”, como a construção de reatores
nucleares.
Em seguida, no quarto parágrafo, o governo iraniano diz que o acordo
é o ponto de partida para a “cooperação e uma mudança
positiva e construtiva” na comunidade internacional. No item seguinte,
os iranianos afirmam que o urânio enriquecido na Turquia será
de propriedade do Irã, mas submetido a inspetores internacionais.
No sexto parágrafo, o Irã se compromete a informar a Aiea, por
escrito e pelos canais oficiais, sobre o acordo em um prazo de sete dias.
No item seguinte, há detalhes sobre o envio de 1,2 mil quilos de urânio
levemente enriquecido em território turco. No oitavo parágrafo,
o Irã exige que sejam adotadas garantias e respeitados os termos do
acordo.
Depois, no nono parágrafo, os governos da Turquia e do Brasil manifestam
confiança nas negociações entre o Irã e o chamado
grupo dos países 5 +1 – que reúne os cinco integrantes
do Conselho de Segurança das Nações Unidas: Estados Unidos,
Rússia, China, França e Inglaterra, além da Alemanha.
Por fim, no décimo e último item, os governos da Turquia e do
Brasil elogiam os compromissos firmados no acordo e os esforços realizados
para alcançá-lo. Em contrapartida, o governo do Irã informa
que “também avalia os esforços construtivos de países
amigos, Turquia e Brasil, criando o ambiente propício para a realização
dos direitos nucleares do Irã”. (Renata Giraldi)
Fonte: Agência Brasil.
17/05/2010