Sistema de R$ 100 milhões vai monitorar qualidade da água dos principais rios do Brasil
A Agência
Nacional de Águas (ANA) pretende implantar em todo o país, até
2015, um sistema padronizado de avaliação e monitoramento das
águas. Com isso, terá condições de informar à
sociedade o nível e o tipo de poluição das águas
dos principais rios brasileiros. A avaliação também vai
ajudar os governos federal e estaduais a identificar prioridades para as políticas
públicas.
Serão investidos quase R$ 100 milhões no sistema, por meio do
Programa Nacional de Avaliação da Qualidade das Águas
(PNQA). De acordo com o especialista em recursos hídricos da ANA Paulo
Libânio, serão gastos R$ 87 milhões com a implantação
das redes de monitoramento e com o apoio às redes já existentes.
Ele explicou que laboratórios serão montados no âmbito
de um trabalho de capacitação de técnicos nos estados.
“Serão investidos mais R$ 4,8 milhões para equipar os
estados e R$ 2,9 milhões para divulgar e tornar essas informações
acessíveis ao público”, disse Libânio após
o lançamento do PNQA, hoje (30) em Brasilia. “Nosso objetivo
vai além do monitoramento. Com as avaliações que serão
feitas, transformaremos dados em informações e as informações
em conhecimento”.
A maior parte dos recursos virá do Orçamento Geral da União.
Outra parte tem, como origem, acordos de cooperação técnica
com organismos internacionais, entre eles, o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID).
De acordo com o técnico da ANA, esse tipo de avaliação
das águas já é feito “de forma competente”
em 18 estados, “mas falta a participação de nove estados.
A maioria fica na Região Norte, onde há poucos problemas com
a qualidade da água”, disse Libânio, referindo-se ao Amazonas,
Pará, Acre, Amapá, Maranhão, Piauí, a Roraima,
Rondônia e Santa Catarina.
Além de incluir esses estados na rede, serão estabelecidos critérios
padronizados de monitoramento, o que facilitará a compreensão
contextualizada e comparativa das informações obtidas. “Faltam
parâmetros para que tenhamos uma visão nacional [sobre a qualidade
da água dos rios brasileiros]”, afirmou Libânio.
Segundo ele, é possível que o prazo para a implantação
dessa rede em todo o território nacional, inicialmente previsto para
terminar em 2015, seja antecipado caso os estados aproveitem uma ferramenta
lançada hoje pela ANA. “O Portal da Qualidade das Águas
consolidará as informações disponíveis em 3,3
mil estações de monitoramento. Oferecerá mapas, parâmetros
monitorados, informações sobre o índice de qualidade
de rios, capacidade de absorção de carga orgânica, além
de permitir o intercâmbio de conhecimentos, podendo ser utilizado inclusive
por pesquisadores das universidades”.
“Além do poder público, nosso público alvo é
também a sociedade, que poderá ficar mais vigilante. Universidades
e a população em geral terão, no portal, condições
de acessar as informações. Até porque elas estão
dispostas em um formato bastante acessível. Quanto ao poder público,
ele terá melhores condições de definir suas políticas
de forma mais embasada”, explicou Libânio.
A ANA pretende divulgar em agosto um relatório sobre a situação
dos 100 rios que apresentam mais pontos críticos no Brasil. Em 2009
foi divulgado um trabalho similar, com dados relativos a 2008. O relatório
comprovou que os rios que passam pelas regiões metropolitanas de Porto
Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador
são os que apresentam situação mais crítica em
relação à qualidade da água. (Pedro
Peduzzi)
Fonte: Agência Brasil.
30/06/2010