Nem a diplomacia escapa da rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol
Bem-humorados
e apaixonados por futebol, os ministros das Relações Exteriores
do Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Héctor Timerman, afirmaram
hoje (3) que uma final da Copa do Mundo entre as duas seleções
não ameaça o Mercosul. Mas a diplomacia não foi suficiente
para evitar provocações. Timerman torce para que as duas seleções
cheguem à final, mas disse que a maior satisfação, para
os argentinos, será ganhar o título de campeão mundial
na Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
“O mais importante é que Brasil e Argentina cheguem à
final [da Copa no próximo dia 11]. Mas quero felicitar o Brasil, que
em 2014 fará a Copa do Mundo. Isso porque não há nada
mais importante para a Argentina do que ser campeã do mundo no Brasil”,
provocou Timerman, que assumiu a chancelaria no último dia 22 e, pela
primeira vez, visita o Brasil como ministro.
Acenando a cabeça em sinal de reprovação, Amorim não
discordou diretamente do colega. “Uma coisa é certa: um país
do Mercosul ganhará a Copa. Qual será? Certamente há
outras opiniões”, disse, diplomaticamente, o chanceler brasileiro,
numa referência ao fato de que, além de Brasil e Argentina, outros
dois sócios do bloco sul-americano seguem na disputa: Paraguai e Uruguai.
Ao ser peguntado, em tom de brincadeira, se a disputa nos gramados sul-africanos
poderia trazer alguma ameaça para a unidade do Mercosul, Amorim respondeu
bem-humorado: “Isso é como dizer que uma final entre Santos e
Internacional vai colocar em risco a unidade do país. Pode ter, sim,
uns xingamentos.”
Na sexta-feira (2), o Brasil joga com a Holanda, valendo vaga nas quartas-de-final
da Copa. No dia seguinte, será a vez da Argentina tentar passar para
a próxima fase, no jogo contra a Alemanha. Verdadeiros confrontos entre
o Mercosul e a União Europeia. (Renata Giraldi)
Fonte: Agência Brasil.
30/06/2010