Encontro debate adaptação de museus para oferecer acesso a pessoas com deficiência
Os
museus do país precisam passar por transformações estruturais para que pessoas
com deficiências visuais ou auditivas aproveitem o que essas instituições
podem oferecer. A avaliação é de Viviane Sarraf, coordenadora do Centro de
Memória da Fundação Dorina Nowill para Cegos, uma das entidades organizadoras
do primeiro Encontro Regional de Acessibilidade em Museus, aberto hoje (4)
na capital paulista.
“Nossa cultura é sensorial. Podemos nos lembrar de momentos do passado, da
história por meio de gostos, cheiros, do nosso tato. A pessoa com deficiência
auditiva pode acessar o museu por meio de sua língua primeira que é a língua
brasileira de sinais”, defendeu a coordenadora.
O encontro, promovido pela entidade de Viviane e pelo Museu de Arte Moderna
de São Paulo (MAM), reúne até amanhã (5) profissionais que trabalham em museus
e em instituições de atendimento à pessoas com deficiência, estudantes, professores
e pesquisadores de áreas ligadas à acessibilidade e à museologia.
Além de discutir a acessibilidade em museus e centros culturais, o objetivo
do evento é apresentar e avaliar projetos de inclusão desenvolvidos por instituições
brasileiras.“É uma oportunidade de troca de experiências e um espaço para
que representantes de políticas públicas possam dizer o que tem sido feito
para promover o acesso aos museus”, explicou Viviane.
De acordo
com ela, já existem trabalhos voltados a deficientes auditivos no MAM, na
Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu Emílio Goeldi, no Pará. Como
instituições que já promovem o acesso a deficientes visuais, ela apontou,
além do Centro de Memória Dorina Nowill, o Museu da Bíblia de Barueri (SP),
o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e a Pinacoteca do Estado
de São Paulo que tem uma série de adaptações de obras de arte para o tato.
A coordenadora ressaltou que a questão da acessibilidade tem ganhado destaque
há cerca de dois anos e que há poucos especialistas na área.
Ela acredita que para promover a acessibilidade aos museus é preciso que órgãos
governamentais, tanto ligados à pessoa com deficiência, quanto à cultura,
se unam e promovam discussões, leis e normas que incentivem os museus a realizarem
esses projetos. “E ainda que seja feita uma regulamentação, que esses órgãos
possam dar apoio efetivo e não só financeiro, mas estrutural e de formação
para que os profissionais dos museus realmente estejam capacitados para promover
as alterações necessárias”.
Para Viviane, a acessibilidade nos museus é uma questão relevante porque essas
entidades são organismos essenciais ao desenvolvimento social e humano. “Dentro
esses espaços é que está representada toda a arte da humanidade, as ciências,
a história, a antropologia. Toda pessoa tem direito de acessar os museus e
se beneficiar de todo esse conhecimento ali salvaguardado. As pessoas com
deficiência também”, argumentou. Segundo ela, vivemos um momento no qual as
pessoas com deficiência conquistaram poder político em função da sua luta
e representatividade. “Então além deles quererem usufruir de todos os bens
sociais, eles também querem usufruir dos museus para poderem se servir desse
conhecimento e aproveitar esse desenvolvimento social e humano”.
(Flávia Albuquerque)
Fonte: Agência Brasil.
04/11/2008