Ministro espera participação privada de pelo menos 30% na Lei Rouanet
O
ministro da Cultura, Juca Ferreira, sugeriu que a iniciativa privada passe
a participar com, ao menos, 30% dos recursos destinados aos projetos bancados
pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.
Hoje, as empresas que usam a lei recebem, na maioria das vezes, 100% do capital
investido de volta, na forma de renúncia fiscal. Na prática, apesar da participação
da empresa, os eventos culturais acabam sendo patrocinados totalmente pelo
erário, argumenta o ministro.
“A gente pode pactuar com a área privada que as contribuições fiquem, no mínimo,
em torno de 30%. É razoável, é um acréscimo de dinheiro.
Aí se justifica a capitalização da parceria por parte da marca da empresa
que se associou. Mas 100% é muito pouco”, defendeu o ministro, nesta semana,
em encontro com artistas no Teatro Tuca, em São Paulo.
O ministro, no entanto, ressalvou que a intenção do governo não é deixar de
executar os projetos com renúncia de 100%, mas que passem a ser exceção. “Os
projetos com alta pontuação até podem receber 100% de renúncia. A gente não
quer fazer um gesto peremptório de acabar com os 100% de renúncia. Mas, para
ser 100%, o projeto vai ter de ser bom em muitas áreas. O 100% não pode ser
a regra. O 100% tem de ser a exceção da exceção da exceção”, defendeu.
As críticas do ministro ao modelo da isenção fiscal como mecanismo de financiamento
das atividades artísticas pelo governo são feitas às vésperas da apresentação,
em audiência pública, de uma nova formatação da Lei Rouanet, que deverá ser
levada ao Congresso no início de 2009.
“Nesses 17 anos da Kei Rouanet, através do mecanismo da renúncia, só 10% dos
recursos empregados nos projetos culturais foram da iniciativa privada. Ou
seja, praticamente estamos trabalhando com dinheiro público”, disse.
O ministro ainda destacou o fato de que apenas cerca de 3% dos proponentes
dos projetos culturais, que buscam auxílio da lei, captam cerca de 50% dos
recursos que são disponibilizados. “Ou seja, quem tem o caminho das pedras
tem demonstrado uma capacidade infinitamente maior que os demais de ter seus
projetos aprovados. É justo um mecanismo que produz um resultado desse?”,
questionou.
Juca defendeu ainda alterações profundas no Fundo Nacional de Cultura. Ele
aposta em um maior aporte de dinheiro no fundo e na sua subdivisão. “Não há
saída com a atual estrutura do Fundo Nacional de Cultura. Certamente é o pior
fundo federal. É uma massa amorfa, não tem definição de prioridade, não tem
estrutura clara de funcionamento, não tem controle social”, criticou.
A sugestão do ministro é que o fundo passe a ser setorizado, composto pelos
fundos da Diversidade Cultural, Cidadania e Acesso; do Audiovisual; das Artes;
do Patrimônio, e do Livro e Leitura. Além disso, ele propõe a disponibilização
de 25% dos recursos para projetos genéricos, que não se enquadram nas áreas
dos fundos. “Se você faz fundo setorial, com participação de segmentos afins
daquele setor e com pessoas qualificadas com volume bem menor, você pode fazer
uma avaliação qualitativa, definir prioridades, possibilitar inclusive o aprimoramento
da política de fomento e financiamento. E evidentemente tem um nível de controle
maior”, disse. (Bruno Bocchini)
Fonte: Agência Brasil.
13/11/2008