Pontos de Cultura querem mais diálogo e um sistema nacional
A manutenção
dos Pontos de Cultura como política de Estado, com orçamento
previsto legalmente e mecanismos de controle e gestão compartilhados
entre o poder público e a sociedade civil é uma das reivindicações
do 2º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, apresentadas em uma
carta entregue hoje (16) ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, no encerramento
da Teia 2008.
O documento foi escrito durante o Teia Brasília 2008, encontro que
reuniu cerca de 600 delegados, representantes dos 850 pontos de cultura do
país. Para Chico Simão, coordenador do projeto Teia Brasília
– Invenção Brasileira e membro da Comissão Nacional
dos Pontos de Cultura, o evento pode ser considerado um sucesso, pois conseguiu
reunir toda uma rede de organização social que pensa e faz cultura.
Ele disse que foram discutidos os problemas enfrentados nos pontos de cultura
e propostas soluções, por meio de políticas públicas
que eles querem que sejam adotadas, “criando um Sistema Nacional de
Cultura, dentro de um Plano Nacional de Cultura que atenda a toda essa diversidade,
a toda essa riqueza”.
O documento entregue ao ministro, assinado pelos membros da Comissão
Nacional dos Pontos de Cultura, eleita na última sexta-feira (14),
durante o fórum, também reivindica a aprovação
das Propostas de Emenda Constitucional 236 e 150. A primeira inclui a cultura
como direito social na Constituição Federal, e a segunda prevê
a destinação à cultura de 2% do Orçamento Federal,
1,5% do Orçamento Estadual, 1% do Orçamento dos Municípios.
Chico Simão ressalta, porém, que só disponibilizar a
verba para a cultura não resolve os problemas. “O que a gente
quer é aprofundar a discussão do que fazer com o recurso, mesmo
que pouco". Para ele, o pouco bem utilizado é muito.
"Nós não precisamos de muito, de cifras. Precisamos é
de entendimento, de mudar a mentalidade dos governantes, da própria
sociedade, de abrir mais a mente para além dessas relações
de mercado, de valores. E aí você vai ver que um ponto de cultura
é um lugar de segurança pública, ele é um posto
de saúde, é um lugar de educação, pode dialogar
com a escola”.
Os representantes dos pontos de cultura também pedem a inclusão
do Programa Cultura Viva no Plano Nacional de Cultura e a implementação
do Sistema Nacional de Cultura, além da revisão da legislação
que rege os convênios entre a sociedade civil e o Estado, para garantir
maior transparência, funcionalidade e agilidade. (Ana
Luiza Zenker )
Fonte: Agência Brasil.
16/11/2008