Fundo Nacional de Cultura aumentará os recursos para projetos do setor
O Ministério
da Cultura pretende dobrar o valor dos recursos de estímulo a projetos
do setor no país. A proposta, segundo o secretário executivo
do ministério, Alfredo Manevy, é atingir essa meta com a substituição
da atual Lei Rouanet pelo Programa Nacional de Fomento à Cultura (Procultura).
Pelo projeto,
ainda em tramitação no Congresso Nacional, as empresas que usam
parte do dinheiro que deveriam pagar em tributos para o governo para investir
em cultura terão de adicionar 20% a esse valor. A parcela adicional
viria de recursos da própria empresa.
Com essa
mudança, o dinheiro destinado aos projetos culturais seria concentrado
em um Fundo Nacional de Cultura. Os artistas e produtores que têm um
projeto não precisarão mais recorrer às empresas para
conseguir o dinheiro, como ocorre hoje. Manevy estima que 80% desses artistas
não conseguem um patrocinador.
“Hoje,
pela Lei Rouanet, as empresas colocam as marcas [nos cartazes dos espetáculos,
por exemplo] mas não há um centavo de dinheiro privado no financiamento
da cultura. O que está sendo criado é um fundo direto de apoio
aos artistas e produtores. Assim que o projeto for aprovado pelo Ministério
da Cultura, o artista já recebe o dinheiro sem precisar captar esses
recursos”, explicou
Manevy.
Com o novo
formato, o governo federal pretende também desconcentrar os incentivos
culturais que hoje predominam no eixo Rio-São Paulo, ampliando o benefício
para todas as regiões do país e todos os segmentos culturais.
Apesar
das promessas de melhoria, o programa ainda divide opiniões. Algumas
empresas e representantes da classe artística temem que a proposta
acabe tendo efeito contrário e reduza o volume de dinheiro para o setor.
Manevy disse que as empresas estatais e as grandes empresas privadas que já
estão incluídas na Lei Rouanet divulgaram nota oficial garantindo
que vão manter e até aumentar os investimentos.
“Hoje
a cultura é uma economia poderosa que dá um enorme retorno de
imagem para bancos e empresas que financiam a cultura. A resistência
vem de uma minoria que conhece o caminho das pedras e parece que não
quer pensar o conjunto dos artistas do Brasil, quer manter a situação
como está, mesmo sabendo que a maioria dos artistas tem dificuldade
e não têm alternativa alguma”, disse Manevy.
O Procultura,
apresentado hoje (11) no Rio de Janeiro, ainda será levado pelo Ministério
da Cultura para apresentação em Belém, Belo Horizonte,
Campo Grande e Brasília. O governo quer aproveitar o período
de análise pelos parlamentares para levantar sugestões e reclamações
e levantar o apoio à proposta. (Carolina Gonçalves)
Fonte:
Agência Brasil.
11/05/2010