Salvador é destaque no New York Times
Amparado
nos livros de Jorge Amado, o jornalista norte-americano Larry Rohter, do New
York Times, publicou reportagem sobre Salvador visitando os principais pontos
turísticos da cidade. A abordagem remonta a chegada do escritor em Salvador,
aos 16 anos de idade, quando passou a ocupar uma pensão no Largo do Pelourinho.A
reportagem destaca a paixão de Jorge Amado por Salvador da Bahia e procura
mostrar que ela ainda hoje é retribuída, seis anos após a sua morte, "pois
seu espírito exuberante e estético parece atravessar as ruas do lugar que
ele descreveu como a mais misteriosa e bonita cidade do mundo", diz o texto.
Segundo a reportagem, nos seus livros, Jorge Amado queria turista não apenas
para ver as praias, igrejas decoradas, as pitorescas festas populares e cerimônias
religiosas, mas também a pobreza das casas populares, dos barracos nas palafitas
e prostíbulos da cidade. O autor da reportagem argumenta que, na sua primeira
fase, o escritor apresentou a tendência de buscar os pares opostos: o bem
e o mal, o negro e o branco, o sagrado e o profano e o rico e o pobre. O texto
ressalta que ele aplicou esta visão maniqueísta abraçando a Cidade Baixa,
o Porto em detrimento da Rua Chile, maior centro comercial da cidade na época
em que escreveu Capitães de Areia.
Revitalização do Comércio
O texto de Larry Rohter chama a atenção para a revitalização da Cidade Baixa
e procura mostrar que os locais freqüentados pelos moradores de rua passam
por um processo de ascensão social. Como exemplo disso destaca trechos da
Avenida Contorno, que hoje ostenta uma marina com seus barcos luxuosos ancorados,
um apart hotel para clientes de alto poder aquisitivo e um dos restaurantes
mais finos da cidade, o Trapiche Adelaide, freqüentado por colunáveis, emergentes
e descolados.
Ainda na Cidade Baixa, Rohter revisita o "barulhento" Mercado Modelo, onde
barracas vendem, além de camisetas, vários tipos de souvenires, poções mágicas,
afrodisíacos, amuletos, ervas e vestuários típicos. Na parte externa, mais
precisamente na Praça Cayru podem ser vistos praticantes de jogos de azar
procurando uma vítima, poetas populares conhecidos como repentistas cantando
ou recitando seus versos "e capoeiristas fazendo demonstrações dessa graciosa
mistura de dança e arte marcial, ao som do berimbau", ressalta a reportagem.
Axé e Pagode
Mais adiante, a reportagem menciona o Elevador Lacerda como a ligação entre
a Cidade Alta e Cidade Baixa, destacando que a parte alta oferece uma das
mais belas vistas da Baía de Todos os Santos. Na parte baixa, descreve o predomínio
das músicas do "axé" e do "pagode" e outros estilos apreciados pelos trabalhadores,
oriundos de bares freqüentados por rapazes, marinheiros brincalhões e prostitutas.
No Pelourinho, a obra literária lembrada é Dona Flor e Seus Dois Maridos.
Antes o leitor é convidado a fazer uma visita ao museu que homenageia o escritor,
localizado exatamente no trecho mais freqüentado pelos turistas que vêm a
Salvador. Ali eles podem encontrar fotografias de Jorge Amado em casa, com
a família, no exterior, além das capas das primeiras edições da obra do autor
e das traduções em mais de 40 idiomas dos seus romances. Em seguida, a reportagem
rememora a cena final do filme, onde Dona Flor posa com Teodoro de um lado
e com o fantasma nu de Vadinho do outro.
E assim, o autor da reportagem vai destacando os pontos pitorescos de Salvador,
chamando a atenção para as igrejas e apontando a preferência de Jorge Amado
pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde, nas proximidades,
os escravos eram castigados. Vale ressaltar ainda que muitos desses trechos
turísticos fazem parte ou são referências em livros, como Mar Morto, Capitães
de Areia, Tereza Batista Cansada de Guerra, Tenda dos Milagres, dentre outros.
Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador.
29/02/2008